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Investidores chineses evitam ações e correm para imóveis

Bloomberg News

(Bloomberg) -- A previsão é que este ano seja o pior desde 2011 para os investidores em ações da China porque a lembrança da queda forte do ano passado persiste e os especuladores estão mudando para o mercado imobiliário.

O Shanghai Composite Index encerrará o ano com 3.075 pontos, segundo a mediana de projeções em uma pesquisa da Bloomberg com 10 estrategistas e gerentes de fundos. Isso implica uma queda de 13 por cento ao longo do período de 12 meses, a mais acentuada em cinco anos, e um ganho de 2,9 por cento em relação ao valor de encerramento da quarta-feira. As menores perspectivas de flexibilização monetária, a desaceleração da economia e o risco de que um custo do crédito mais alto nos EUA enfraqueça o yuan são alguns dos fatores que pesam sobre as ações do país, mostrou a pesquisa.

O volume de negócios no segundo maior mercado acionário do mundo caiu para o nível mais baixo em dois anos porque o exército de investidores da China, assustado com a queda nos valores das ações ocorrida em 2015, passou para outros ativos. Depois que uma aposta frenética em futuros de commodities deu errado, eles mudaram o alvo – imóveis. Como agora os preços de casas novas registraram o maior salto em seis anos, os analistas estão diminuindo as projeções de cortes das taxas de juros.

"O mercado imobiliário e o acionário são como um balanço", disse Li Lifeng, estrategista da Sinolink Securities em Xangai. "Se a 'febre' no mercado imobiliário não baixar, os fundos passarão das ações para imóveis".

'Bolha'

A média de cinco dias do volume negociado nas bolsas chinesas caiu para 364 bilhões de yuans (US$ 55 bilhões), a mais baixa desde novembro de 2014, frente a mais de 2 trilhões de yuans no ano passado, e o Shanghai Composite Index encerrou a quarta-feira no seu nível médio para os últimos 90 dias. O indicador subiu 0,4 por cento, para 3.244,39 pontos, na quinta-feira.

Isso é um forte contraste com o mercado imobiliário, descrito por Ma Jun, economista-chefe do escritório de pesquisa do Banco Popular da China, como "bolha" em entrevista neste mês. Outros advertiram para o parecido com o boom imobiliário da década de 1980 no Japão, que acabou em um colapso. Os preços de casas novas em Xangai deram o salto recorde de 4,4 por cento em agosto e acumulam alta de 31 por cento em relação ao ano anterior, e os de Pequim aumentaram 24 por cento em relação ao ano passado.

As ações da China Continental "continuam em bear market", disse Yao Weiwei, estrategista da AXA SPDB Investment Managers e o analista mais exato em uma pesquisa anterior da Bloomberg. "Na projeção para o quarto trimestre, é muito difícil ver qualquer notícia positiva".

Os participantes da pesquisa da Bloomberg que forneceu a meta para o Shanghai Composite foram a AXA SPDB Investment Managers, Central China Securities, Hwabao Securities, Jinkuang Investment Management, JK Life Insurance, KGI Securities, KraneShares, Shenwan Hongyuan Group, Xufunds Investment Management e Yuanta Securities. A HFT Investment Management, a HSBC Jintrust Fund Management e o UBS Group também participaram.

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