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Mercado vê queda forte dos juros no próximo ano

Josué Leonel e Marisa Castellani

(Bloomberg) -- O mercado aposta em uma queda mais acentuada da taxa de juros em 2017, após um provável início das reduções em ritmo mais pausado no mês que vem. Os contratos futuros do mercado de juros apontam 3,25 ponto percentual de queda até o final de 2017, segundo dados compilados pela Bloomberg, o que levaria a Selic, mantida em 14,25% há mais de um ano, para 11%.

Essa aposta em cortes dos juros começou a ganhar força antes do impeachment da conclusão do Dilma Rousseff, com os investidores antecipando que o governo de Michel Temer teria maior sucesso com as reformas fiscais e no combate à inflação. O contrato de juros para janeiro de 2021 chegou a bater 16,8% em janeiro, no momento de maior estresse no governo Dilma. Ontem, a taxa fechou em 11,5%, menor nível desde outubro de 2014.

Profissionais do mercado se mostram divididos sobre se estas apostas em cortes dos juros estão exageradas ou não. Para Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Coinvalores, o mercado pode estar desprezando riscos como as dificuldades de implementação do ajuste fiscal e um cenário externo com estagnação de fluxo para emergentes. "Se tudo der certo, você ganha pouco, se der alguma coisa errada, você pode perder muito".

Rogério Braga, diretor de portfólio da gestora de recursos Quantitas, considera que o mercado de juros já antecipou em grande parte a aprovação da PEC dos gastos, que o governo tenta acelerar, na Câmara dos Deputados. "A curva já antecipou bastante a expectativa de aprovação da PEC, mas não acho que temos que precificar céu de brigadeiro".

Um ponto que parece consensual entre os analistas do mercado é que o espaço para o BC realmente cortar os juros como os contratos estão precificando vai depender do sucesso de o governo em entregar as reformas como se espera e de a inflação cair para níveis mais baixos. O próprio relatório de inflação divulgado pelo BC esta semana deixou claro que a redução da Selic depende desses fatores.

Embora a aprovação das reformas ainda seja incerta, o mercado se mostra mais esperançoso agora graças a dois pontos nos quais o governo Temer já teria se mostrado diferente do anterior, segundo Carlos Fernando Vieira, diretor de renda fixa da Lerosa Corretora. Um ponto seria a maior capacidade de articulação e diálogo. O outro seria a maior unidade do governo em favor das reformas.

Um aspecto adicional que ajudaria a reforçar as apostas em corte mais acentuado dos juros em 2017 seria a melhora das expectativas inflacionárias para prazos mais longos. O BC reduziu a projeção para o IPCA de 2018 para 3,8%, bem abaixo da meta de 4,5%. E, em 2017, o BC já estará mudando sua mira para o ano seguinte.

Para que o corte de juros realmente confirme as apostas otimistas do mercado, porém, será fundamental que o processo de melhora das expectativas prossiga. "A ancoragem das expectativas é muito importante para o BC", diz Vieira, da Lerosa.

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