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Bancos encolhem, mas mantêm mercado acionário refém na Europa

Sofia Horta e Costa

(Bloomberg) -- As ações de bancos europeus valem cada vez menos, mas nunca foram tão ameaçadoras.

Sobrecarregadas por multas, enfraquecidas pelas taxas de juros negativas e enfrentando a ameaça de outra recessão, as instituições financeiras sofreram queda de valor de mercado de US$ 280 bilhões em 2016. O setor agora representa somente 11% do Stoxx Europe 600, praticamente a menor fatia até hoje e bem menor do que o peso de 23% de uma década atrás.

A amargura é disseminada, embora o foco recente esteja no Deutsche Bank, que perdeu quase um quarto do valor em menos de três semanas devido a questões de capitalização. As ações dos bancos recuaram 2,7% em setembro, aprofundando as perdas em um ano em que ocorreram duas das três maiores quedas mensais desde a crise financeira.

Mesmo diminuindo de tamanho, a capacidade do setor financeiro de determinar o rumo do mercado acionário como um todo é maior do que nunca. Um padrão de movimentos sincronizados das ações de instituições financeiras e dos índices amplos mostra comportamento igual em 87% dos pregões em 2016, o maior nível desde 2007. Ou seja, sua influência matemática diminuiu, mas não diminuíram os temores de que o setor traga a próxima crise.

"Os investidores temem o risco sistêmico", disse Dirk Sebrechts, gestor de fundos que ajuda a supervisionar aproximadamente US$ 233 bilhões na KBC Asset Management, em Bruxelas, e tem vendido ações de bancos após um breve momento de otimismo em julho.

"Os bancos daqui nunca de recuperaram verdadeiramente das múltiplas crises da última década. Se tivermos outra e eles afundarem, a economia e o resto do mercado irão junto com eles."

O fato de os bancos ainda pesarem sobre o mercado acionário é uma derrota para as autoridades reguladoras, que fizeram o possível para limitar o impacto do setor financeiro sobre a economia. As instituições financeiras foram afastadas de atividades arriscadas, como negociação proprietária, suas divisões de derivativos foram restringidas e as reservas de capital subiram.

Mesmo com a contenção dos elementos mais arriscados, os bancos continuam sendo canal importante nos esforços de restauração da saúde da economia e a elaboração de incentivos para a concessão de empréstimos tem sido prioridade para o Banco Central Europeu.

No entanto, o mercado não se mostra convencido de que as autoridades serão capazes de segurar outra derrapada do setor, segundo Sebrechts, da KBC. As respostas das autoridades a crises anteriores - juros negativos, multas e exigências de capital severas - mais atrapalham do que ajudam.

Uma série de más notícias tirou dos trilhos um setor que era o motor da recuperação dos lucros corporativos na Europa ainda em 2013, quando a expectativa era de salto de 20% nos ganhos dos bancos.

Três anos depois, o sistema bancário da Itália não consegue se livrar de bilhões de euros em dívidas de recebimento duvidoso, as perdas inesperadas só aumentam na divisão de negociação de ativos do Credit Suisse Group e o Commerzbank revisou para baixo as metas de lucro e suspendeu o pagamento de dividendos.

As ações do Deutsche Bank ainda estão próximas das menores cotações em registro, devido a temores de que uma das instituições financeiras mais sistemicamente importantes do mundo não consiga cobrir penalidades jurídicas.

Os papéis do banco sediado em Frankfurt avançaram 6,4% na sexta-feira, com relatos de que está perto de fechar um acordo de US$ 5,4 bilhões com o Departamento de Justiça dos EUA em uma investigação ligada a instrumentos lastreados por financiamentos de imóveis residenciais. O governo americano havia pedido inicialmente US$ 14 bilhões para encerrar o caso.

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