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Análise: Futuro dos smartphones avança para próxima fronteira

Tim Culpan

(Bloomberg) -- Agora que o terceiro trimestre terminou, é hora de os investidores começarem a adivinhar como será a temporada de balanços.

No setor da tecnologia, o assunto mais quente ainda são os smartphones, com as baterias da Samsung que explodiram e o iPhone 7, da Apple, que obteve uma resposta confusa.

Mas em vez de pensar a curto prazo, uma abordagem mais inteligente é avaliar para onde o setor e sua cadeia de abastecimento podem ir nos próximos anos. A queda dos preços é um tema frequentemente discutido, mas se fala menos do fato de que as melhorias no hardware básico dos smartphones vêm desacelerando.

Assim como no caso dos PCs, o poder de processamento antes era um dos principais diferenciais, mas as conversas relacionadas à velocidade dos chips morreram. A Qualcomm surfou na onda dos processadores com o Snapdragon, que ajudou as ações da empresa americana a mais que dobrarem de valor no período de cinco anos até março de 2014. O período de lá para cá não tem sido tão positivo.

Outro motor dos smartphones foi a resolução das telas, mas as tecnologias melhoraram a tal ponto que os consumidores já não conseguem enxergar a diferença.

Mais do que qualquer outro aspecto, as câmeras vêm se destacando de forma surpreendente. Digo surpreendente porque, embora as telas e os processadores tenham trilhado o mesmo caminho dos PCs, as câmeras integradas são algo único dos smartphones, possibilitando e impulsionando a revolução das selfies.

A fabricante taiwanesa de câmeras para celulares Largan Precision foi uma das maiores beneficiárias, já que o valor de suas ações se multiplicou por sete desde 2012.

A Apple gastou mais tempo com o marketing sobre a qualidade de sua câmera em seu último iPhone, chegando ao ponto de adotar a abordagem inovadora -- para a Apple -- de oferecer câmeras diferentes para os modelos padrão e plus.

Contudo, as câmeras dos smartphones se tornaram tão boas que o ciclo de melhoria em breve terminará seu caminho, fazendo as fabricantes de aparelhos irem novamente atrás do próximo argumento de vendas.

Os softwares e os aparelhos continuarão sendo a chave, mas se observado apenas o hardware, eu argumentaria que a duração da bateria e as tecnologias de recarga são a próxima fronteira. Se os celulares da Samsung que explodem inadvertidamente colocaram esse aspecto do setor no centro das atenções, bem, já era hora mesmo de voltar o foco a esse assunto.

Há três formas de lidar com a duração da bateria: fabricar baterias maiores, fabricar baterias melhores (com maior capacidade por volume de bateria) ou tornar os aparelhos que as utilizam mais eficientes.

Como os aparelhos estão se tornando mais finos, a primeira opção já fica de fora, e a segunda é incrivelmente complicada. Os fundamentos da tecnologia da bateria não mudaram em décadas. No momento, o lítio é a droga da vez para os eletrônicos de consumo, mas como a Samsung sabe bem, as drogas podem ser perigosas.

Não há dúvida de que a composição química das baterias vai mudar e com essa finalidade os produtores estão analisando o magnésio, o sódio e o enxofre. Mas até que apareça algo realmente sensacional, os fabricantes ficarão com a opção três.

A solução da questão da eficiência dos aparelhos exige mudanças no hardware ou no software.

Embora muita coisa tenha sido feita em relação à capacidade da bateria dos telefones, essa métrica é enganosa, e a Apple é um ótimo exemplo disso. A empresa tem a capacidade única de desenvolver tanto softwares quanto hardwares para o iPhone, o que lhe permite fazer com que as duas partes do quebra-cabeças trabalhem juntas de forma mais eficiente, espremendo horas extras do ciclo de recarga de uma bateria.

Embora isso seja possível no ecossistema do Android, o fato de que nenhum dos fabricantes de aparelhos elabora seu sistema operacional limita o alcance do que eles podem fazer.

Quanto ao hardware, há uma corrida para encontrar telas que consumam menos a bateria, porque elas são o recurso que gera o maior gasto em um aparelho. As várias formas de tecnologias de diodo emissor de luz (LED, pela sigla em inglês) estão atraindo o maior interesse.

Graças aos negócios que já mantém no setor, a Samsung tem uma vantagem inicial nesse campo, e a Apple sabe disso. É por isso que a empresa de Cupertino, nos EUA, está interessada em desenvolver sua própria tecnologia para reduzir a dependência em relação aos fornecedores externos.

Para isso, a Apple montou um laboratório em Taiwan dedicado ao desenvolvimento de tecnologias de telas e recentemente iniciou os preparativos para a fabricação de telas de LED.

Com a perda de velocidade de inovação em outras partes do segmento de smartphones, a duração da bateria se tornará cada vez mais o foco dos desenvolvedores e de suas equipes de marketing.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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