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O futuro da Colômbia após rejeição de acordo de paz com as Farc

Matthew Bristow

(Bloomberg) -- A Colômbia enfrenta incertezas depois que os eleitores surpreenderam e rejeitaram o acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), fechado após quatro anos de negociações em Cuba. O presidente Juan Manuel Santos havia dito que não existia "plano B" em caso de derrota.

O que aconteceu?

Os colombianos rejeitaram o acordo com 50,2 por cento dos votos contrários, uma pequena diferença em relação aos 49,8 por cento favoráveis. Aproximadamente dois terços dos eleitores se abstiveram. Santos e o líder das Farc já haviam assinado o acordo de paz na semana passada, em cerimônia realizada com presenças de chefes de Estado da região e do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. Pelo menos três pesquisas de opinião publicadas na semana passada previam que o acordo seria aprovado com 60 por cento dos votos ou mais.

O comparecimento às urnas na costa caribenha, que apoiava o acordo de forma esmagadora, foi inferior até à média nacional porque a área foi atingida por chuvas provocadas pelo furacão Matthew, segundo as autoridades eleitorais.

Quais eram as condições do acordo?

O acordo teria garantido às Farc 10 assentos no Congresso entre 2018 e 2026, reforma agrária e sentenças reduzidas pelos crimes cometidos, em troca da entrega de armas a monitores da ONU. A vitória do "sim" teria dado sinal verde para que os guerrilheiros iniciassem o processo de desmobilização para se converterem em um partido político legal.

O que vai acontecer agora?

Não há perspectiva imediata de volta da violência. Santos disse que o cessar-fogo bilateral será mantido e que ele continuará buscando um acordo negociado. O líder das Farc, Rodrigo Londono, afirmou a emissoras de rádio que o grupo mantém a disposição de usar as palavras em vez das armas e que "a paz triunfará". Santos está enviando sua equipe de negociação a Cuba nesta segunda-feira para se reunir com as Farc. Ele também convocará uma reunião com todos os partidos políticos, incluindo o Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Uribe, para definir como proceder.

Como os mercados reagirão?

Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs, prevê que o peso e os títulos denominados em moeda local terão queda acentuada porque a rejeição ao acordo foi uma surpresa. Munir Jalil, analista do Citigroup, disse que o resultado dificultará a aprovação de um projeto de lei de reforma tributária pelo governo, que precisa sair neste ano para compensar a perda de receita com o petróleo e evitar o rebaixamento da classificação de risco do país. O Ministério da Fazenda estima que o fim do conflito elevaria o crescimento econômico em 1 ponto percentual por ano.

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