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Opinião: Colômbia precisa de plano B para futuro pacífico

Os Editores

(Bloomberg) -- Para grande consternação, os colombianos decidiram, em plebiscito no domingo, recusar o acordo que poderia ter acabado com o mais longo conflito armado da América Latina -- uma revolta que já tirou mais de 220 mil vidas, desalojou mais de 10 por cento da população do país e provocou enormes danos econômicos.

Esse revés salienta os riscos de governar por referendo -- como se fossem necessárias mais provas de que isso é um perigo. As grandes perguntas para a Colômbia são: o que deu errado e o que acontecerá agora?

Aparentemente, muitos colombianos sentiram que o acordo negociado pelo presidente Juan Manuel Santos e pelos rebeldes das Farc era generoso demais com os insurgentes. Em vez de castigar o grupo amplamente detestado, o acordo proposto garantia-lhe representação política.

Concessões desse tipo no momento de acabar com um conflito sempre são difíceis de engolir, mas muitas vezes são o menor dos males -- como neste caso. A alternativa a fazer as pazes com os rebeldes não era a vitória, mas mais anos de violência.

O Exército da Colômbia vem capturando e matando revolucionários das Farc há meio século e, no entanto, a guerra continua. Reservar dez das 272 cadeiras do parlamento colombiano durante dois mandatos era um preço acessível a pagar pela paz.

E não ficou claro, na verdade, que a maioria dos colombianos discorde. A participação no referendo foi baixa -- aproximadamente dois terços do eleitorado ficaram em casa -- e a margem da vitória do "não" foi pequena.

O furacão Matthew não ajudou, porque reduziu a participação em regiões que haviam ajudado Santos a se reeleger. A complacência oficial também desempenhou um papel: as cerimônias prévias ao referendo e o alvoroço provocado por Bono, Ringo Starr e diversos chefes de Estado pode ter levado os colombianos a achar que seus votos não tinham importância.

O resultado é difícil de entender também por outra razão. A política subjacente é complicada -- não se trata simplesmente de um conflito entre a opinião da elite e a raiva populista, nem de vítimas das Farc de um lado contra os despreocupados que não foram afetados do outro.

Entre os que votaram pelo "não" havia ricos proprietários de terras, encabeçados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, cujas famílias e fortunas sofreram nos combates e cujos interesses econômicos foram ameaçados pelas disposições do acordo.

Ao mesmo tempo, em algumas das regiões que sofreram os piores massacres perpetrados pelas Farc, o voto pela paz teve uma vitória esmagadora entre os campesinos pobres.

Mas o fato é que o acordo alcançado após quatro anos de negociações, com amplo apoio da comunidade internacional, agora está no limbo. Santos apelou aos líderes da campanha pelo "não" e mandou seus negociadores voltarem a Cuba, país onde ocorreram as negociações e que ajudou a mediar o acordo.

Por enquanto, os líderes das Farc prometeram manter o cessar-fogo. Há esperança de que seja possível modificar e restabelecer o acordo.

Se isso ocorrer, seria prudente que o governo encontre um modo que os legisladores considerem o acordo sem outra votação popular. Com ou sem outro referendo, no entanto, qualquer acordo modificado terá de ser vendido de forma mais eficaz ao país, que estará prestando mais atenção.

A Colômbia tem muitos outros problemas para resolver, do fortalecimento do tráfico de cocaína ao crescente déficit do orçamento. Tanto a desigualdade econômica quanto uma geografia complicada e a diferença abismal entre quem mora na cidade e quem mora na zona rural exigem atenção. Sem um acordo de paz, curar essas divisões não vai ser apenas difícil, será impossível.

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