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Investidor-anjo mais desrespeitado dos EUA é chamado ao resgate

Craig Torres e Saleha Mohsin

(Bloomberg) -- Algum dia, talvez policiais ou bombeiros que estejam correndo para o local de uma emergência possam estudar no caminho imagens da situação, enviadas por um drone a 60 metros de altura.

Nesse caso, pode ser que eles devam agradecer a Brandon Borko. Também deveriam ser reconhecidas as pessoas que financiaram sua startup de Arlington, Virgínia: não uma turma de financistas craques em tecnologia do Vale do Silício, mas o governo dos EUA. O mesmo governo que muitas vezes é considerado desajeitado e incompetente quando se trata de inovação, que é comparado de forma desfavorável ao setor privado, visto como pioneiro.

Na verdade, investimentos federais em pesquisa e desenvolvimento, de tratamentos contra o câncer à internet e às telas multitoque, salvaram ou enriqueceram vidas -- e semearam crescimento econômico -- para fazer você se perguntar por que não há mais. No entanto, após sete anos de recuperação econômica anêmica nos EUA, em uma temporada eleitoral em que ambos os candidatos prometem liberar apoio financeiro, o foco está em outra coisa: a infraestrutura. Uma opção não exclui a outra, é claro, e ninguém nega que estradas e pontes melhores viriam bem aos EUA. Mas o governo tem outras formas, talvez mais produtivas, de gastar o dinheiro público.

Efeitos imprevisíveis

É fácil entender por que os políticos tendem a preferir a infraestrutura. A desigualdade econômica tem um papel cada vez maior no debate nacional dos EUA, e programas de construção geram empregos para americanos de baixa renda cujos setores tradicionais foram corroídos pelo comércio. Em outras palavras, eles são redistributivos, e a transferência começa assim que as pás são cravadas no solo.

Os empregos em pesquisa costumam ir para uma mão de obra mais instruída, com salários mais altos e taxas de desemprego mais baixas. Além disso, existe a preocupação de que corporações possam aproveitar o trabalho científico financiado pelos contribuintes para obter lucros que vão parar em grande parte no bolso de seus donos ou acionistas.

A economia como um todo também se beneficia com o investimento em pesquisa, mas é difícil medir exatamente o quanto. Novas tecnologias, ou até mesmo teorias, podem demorar décadas para render dividendos e, quando rendem, muitas vezes em locais inesperados.

Resultados surpreendentes

É um cenário complexo. Mas sempre que um canto desse cenário é analisado pelo microscópio dos dados, os resultados são surpreendentes.

Cada dólar dos US$ 14,5 bilhões que o governo dos EUA contribuiu para o mapeamento do genoma humano gerou US$ 65 adicionais em produção econômica, segundo um estudo feito em 2013 pelo Battelle Research Institute. O Departamento de Defesa dos EUA afirma que seus acordos de licenciamento com o setor acrescentaram cerca de US$ 48,8 bilhões à economia entre 2000 e 2014.

Outra objeção comum a investimentos federais em pesquisa é que muitas vezes a escolha daquilo que se financia é motivada pelo politicamente correto ou pelas causas de estimação, não pela verdadeira ciência.

Henry Miller, médico e biólogo da Hoover Institution na Universidade Stanford, aponta para um estudo feito por uma unidade do Instituto Nacional de Saúde dos EUA que investigou se o suco de cranberry apresentava algum efeito benéfico em infecções recorrentes do trato urinário. Na verdade, não, concluiu o estudo, US$ 2,2 milhões depois.

"A questão é: a sociedade deveria investir parte de sua riqueza nacional em descobertas?", disse Jonathan Aberman, fundador da TandemNSI, que ajudou a empresa de Borko, a Sentien Robotics, a entrar em contato com o braço de pesquisa do Pentágono, que se interessou pelo projeto de drones. "Se toda a pesquisa e o desenvolvimento forem feitos por corporações e estiverem diretamente ligados ao que elas podem vender hoje, nós perdemos as idas e vindas, os momentos de 'eureca!', as descobertas que criam o próximo novo avanço."

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