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May não pensa em conceder favores aos bancos no Brexit, dizem fontes

Tim Ross

(Bloomberg) -- As empresas britânicas de serviços financeiros não receberão favores especiais nas negociações para o Brexit da primeira-ministra Theresa May, que quer mudar o relacionamento entre o governo e o centro financeiro de Londres.

Segundo três figuras importantes da administração de May, o governo se recusará a priorizar a proteção ao setor depois que o Reino Unido tiver saído da União Europeia.

A equipe dela também descartou privadamente a principal demanda empresarial por um acordo interino com a UE para ajudar a facilitar a transição para fora do bloco, disse uma das pessoas. Todos pediram anonimato porque a informação é confidencial.

A libra caiu em meio aos sinais de que as preocupações do distrito financeiro de Londres possam ser deixadas de lado em uma clara diferença em relação à postura do antecessor de May.

David Cameron colocou o risco aos serviços financeiros no coração de sua fracassada campanha do referendo para manter o Reino Unido na UE. Ele argumentava que o Brexit seria uma "aposta" de alto risco para o Reino Unido e seu setor de serviços financeiros, que responde por quase 12 por cento da produção econômica e por 1,1 milhão de empregos.

A mudança também pode aumentar o temor dos investidores em relação a um Brexit difícil. A libra retomou sua queda na terça-feira em meio à crescente especulação de que o governo de May está preparado para entregar a adesão ao mercado comum de comércio europeu em troca de mais poder sobre a imigração, a promulgação de leis e o orçamento.

A libra chegou a cair 0,8 por cento em Londres, atingindo o nível mais baixo desde 1985.

Em um comunicado enviado por e-mail, um porta-voz do governo britânico informou que nenhuma decisão foi tomada sobre acordos interinos do Brexit.

"Estamos trabalhando para realizar a melhor saída possível da União Europeia e é completamente equivocado insinuar que incluímos ou descartamos acordos transitórios", informou o porta-voz no comunicado.

"Só nesta semana anunciamos que as leis e regulamentações europeias seriam transferidas à legislação britânica em nossa saída da União Europeia, a fim de dar segurança às empresas que operam no Reino Unido."

Em seu discurso, no domingo, à conferência do Partido Conservador, em Birmingham, região central da Inglaterra, May não fez referência ao centro financeiro de Londres, dizendo apenas que ela quer que o acordo do Brexit envolva o livre comércio de bens e serviços, assim como a cooperação para a aplicação da lei e para os esforços de contraterrorismo.

"Eu reconheço a preocupação dos empresários, eles querem um processo ameno à medida que avançamos com essas negociações e com a transição para sair da União Europeia", disse May, na terça-feira, em entrevista à ITV.

"Eu quero garantir que estamos escutando os empresários e que tivemos reuniões com grandes e pequenas empresas e que os ministros do governo estão conversando com empresas de diversos setores."

Steve Baker, membro do Partido Conservador de May que trabalha no Comitê do Tesouro do Parlamento, disse que o setor financeiro precisa se ajustar à nova realidade pós-Brexit.

"Considerando a firmeza óbvia de nossa nova primeira-ministra, é pouco recomendável que o setor financeiro não aceite a nova realidade política", disse ele, em entrevista.

"A indústria financeira há tempos é vista como um setor que desfruta de um status privilegiado e Londres acabou se transformando em uma espécie de cidade-estado, separada do resto do país. A verdade é que temos todos que seguir em frente como um só Reino Unido -- e isso significará uma mudança."

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