Em breve sua roupa poderá recarregar seu iPhone com luz solar

Eric Roston e Kim Bhasin

(Bloomberg) -- Se deixar a bateria de seu smartphone acabar durante o dia não é o bastante para fazer você se sentir um tolo, pense no seguinte: a cada hora que ele passa descarregado no seu bolso ou mochila o sol banha a terra com energia suficiente para movimentar a economia mundial por um ano.

A solução óbvia é transformar cada centímetro quadrado de seu corpo em uma usina de energia -- a energia solar poderia vir a ser um acessório fundamental, mais importante do que bolsas, pastas e, claro, os óculos de sol. Mas antes disso vem a parte científica.

A chamada tecnologia de vestir vem se restringindo, em grande parte, à periferia das indumentárias -- relógios inteligentes, óculos de sol com câmera e monitores de condicionamento físico. Boa parte da tecnologia para tecidos usada na indústria de roupas é dedicada a funções necessárias para roupas esportivas e equipamentos para exercícios, como a absorção de umidade e a capacidade de esticar e de facilitar a transpiração. As roupas inteligentes surgiram aqui e ali em grande parte focadas nos esportes e nos cuidados pessoais. A Ralph Lauren, a Hexoskin e a Athos produzem camisetas que registram dados biométricos, como ritmo cardíaco e de respiração. Basicamente isso.

É possível que o principal desafio a partir de agora nem seja o mais óbvio -- reduzir uma usina de energia ao tamanho de um bolso. O problema é criar eletrônicos que: 1) possam ser cortados e costurados, como um tecido comum; 2) funcionem igualmente com qualquer design ou tamanho, sem comprometer seu perfil de energia. Cabe aos cientistas entregar esse resultado e alguns deles afirmam, na China, que chegaram um pouco mais perto de fazer a tecnologia funcionar.

Na quarta-feira, uma equipe de pesquisadores afirmou ter desenvolvido um tecido feito de algodão e duas fibras eletrônicas avançadas. Uma fibra gera energia a partir da luz do sol e a outra, chamada "supercapacitor de fibra", armazena os elétrons e oferece corrente, como uma bateria. Os cientistas dizem que essa fibra pode ser dobrada, torcida e enrolada, algo normal nos tecidos industriais e uma área crítica da pesquisa dos tecidos inteligentes. Consertar rasgos no tecido não seria tão fácil -- unir um pedaço de tecido à roupa exige um "delicado processo de costura", segundo o novo estudo publicado na revista científica ACS Nano.

O material foi testado com intensidades de luz entre 70 por cento e 120 por cento da média do sol e funciona com luz natural e artificial, segundo Wenjie Mai, da Universidade de Jinan. Os pesquisadores afirmam que estão em contato com algumas empresas chinesas.

As novas técnicas permitem aos pesquisadores entrelaçar fibras solares e armazenagem de energia em "muitos possíveis padrões e adequá-los a qualquer formato desenhado sem que percam desempenho", escreveram os autores, liderados por Zhisheng Chai, também da Universidade de Jinan. "Essa inovação possibilita a produção de roupas de energia inteligentes e estilosas que aprimoram a experiência do usuário e abrem mais espaço para o design da moda."

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