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Joseph Safra tem data de audiência definida na Zelotes, diz fonte

R.T. Watson e Jessica Brice

(Bloomberg) -- A data da audiência para o banqueiro bilionário Joseph Safra, investigado na operação Zelotes, foi definida, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto.

A audiência dos réus, incluindo Safra, está prevista para 20 de outubro, às 9 horas, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, com decisão esperada para dentro de algumas semanas, segundo a pessoa, que pediu para não ser identificada por divulgar a data antes do anúncio público.

Aqueles que residem fora de Brasília, como Safra, poderão ser ouvidos por videoconferência, segundo a decisão.

O Grupo Safra reiterou que as alegações são infundadas, dizendo que "não houve nenhuma impropriedade de nenhum dos negócios do Grupo Safra. Nenhum representante do grupo ofereceu qualquer incentivo para qualquer funcionário público e o grupo não recebeu nenhum benefício no julgamento do tribunal."

Os promotores alegam que João Inácio Puga, executivo do Grupo Safra que também é réu no caso, negociou o pagamento de propina para zerar a dívida fiscal de uma subsidiária do Safra, a JS Administração de Recursos.

Embora Joseph Safra, 78, não estivesse diretamente envolvido nas negociações ilícitas, Puga teria discutido os subornos com o bilionário, conforme conversas telefônicas interceptadas, dizem os promotores.

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira diz, na decisão obtida pela Bloomberg, "que são poucas as provas contra esse acusado", mas que elas não são suficientes para recusar o caso sem a realização de audiência.

A dívida fiscal da JS totalizava R$ 1,49 bilhão (US$ 458 milhões) em agosto de 2014, enquanto os alegados subornos negociados com dois servidores públicos brasileiros e dois ex-funcionários públicos somavam cerca de R$ 15 milhões, segundo os promotores.

Joseph Safra, que construiu sua fortuna com uma rede de bancos no Brasil, na Suíça e nos EUA, é o terceiro homem mais rico do Brasil, com um patrimônio estimado de US$ 14,2 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

A Operação Zelotes, que já dura dois anos, se concentrou em expor negócios fraudulentos envolvendo o Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda.

Os promotores alegam que as propinas ou a promessa de propinas foram negociadas em troca de decisões fiscais favoráveis que poderiam resultar na economia de bilhões de reais em impostos para as empresas.

O procurador Frederico Paiva disse no fim de julho que a investigação havia reduzido seu escopo, concentrando-se na recuperação de cerca de R$ 5 bilhões em impostos sonegados, mais multas, valor menor que o da estimativa original, de R$ 19 bilhões.

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