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Análise: Derrocada dos fundos não tradicionais tem bom motivo

Lisa Abramowicz

(Bloomberg) -- Este foi o ano de revolta dos investidores nos EUA.

Eles coletivamente fincaram o pé e exigiram fundos simples e baratos que acompanham as referências do mercado. Não quiseram saber de fundos caros, formados por decisões humanas, depois de descobrirem que o toque pessoal não rendia tanto quanto pensavam.

Um bom exemplo está nos chamados fundos de renda fixa não tradicionais, que, neste ano, provavelmente sofrerão os maiores resgates em registro. Os investidores tiraram US$ 18,3 bilhões desses fundos no ano até agosto, volume ainda maior do que a saída de US$ 13,4 bilhões observada no ano passado, segundo dados da Morningstar.

Esses são os fundos que neste ano amargam os maiores saques entre todos os tipos de fundos abertos de títulos acompanhados pela Morningstar. Enquanto isso, os fundos de títulos de prazo intermediário registram entradas de US$ 71,8 bilhões.

Que diferença o tempo faz. Em 2013, os fundos não tradicionais eram uma febre e atraíram US$ 47,9 bilhões, principalmente de investidores em busca de proteção contra a eventual alta da taxa básica de juros. Mas os juros acabaram não subindo.

Muito pelo contrário. Os custos de captação de referência tiveram queda significativa e garantiram ganhos substanciais para todos os tipos de dívida no mercado. E embora o banco central dos EUA tenha iniciado o aperto de juros, claramente não há pressa.

Paralelamente, o desempenho desses fundos não tradicionais não foi bom em comparação com outras classes de ativos, que, de modo geral, dispararam em resposta aos estímulos das autoridades monetárias.

Na média, os fundos ganharam 4,4% em 2016, comparado a 10,2% para os títulos especulativos emitidos nos EUA e 10,8% para a dívida soberana de países desenvolvidos. Nos últimos três anos, o retorno anual médio desses fundos ficou em 2%, muito abaixo do obtido por fundos tradicionais de renda fixa de diversos tipos, de acordo com a Morningstar.

O distanciamento das decisões humanas de alocação na direção de fundos passivos pode deixar investidores mais expostos a um aumento inesperado nos rendimentos. No entanto, os investidores não estão mais dispostos a aceitar colocar dinheiro na mão de gestores de recursos e torcer para que tomem as decisões certas. Já tentaram isso. E, na maioria dos casos, não funcionou direito.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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