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Varejo culpa eleição presidencial por vendas ruins nos EUA

Matt Townsend

(Bloomberg) -- Normalmente o culpado é o clima. Agora, as lojas e os restaurantes dos EUA estão adotando uma nova desculpa para explicar os resultados ruins: a eleição.

Segundo os executivos do varejo, a batalha pela presidência entre o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton está fazendo os americanos adiarem compras de tudo, desde livros de romance na rede de livrarias Barnes & Noble e jeans na Gap até burritos na Taco Bell, da Yum! Brand. Os consumidores podem até estar adiando os pedidos de noivado, o que não é uma boa notícia para empresas como a joalheria Signet Jewelers.

"A preocupação com essa eleição está mantendo as pessoas em suas casas, grudadas na TV e no computador", disse Len Riggio, fundador e CEO da Barnes & Noble. Essa eleição "não tem precedentes em termos de medo, raiva e frustração sentidos pela população."

As lojas e os restaurantes usaram uma série de desculpas esfarrapadas ao longo dos anos, com variados níveis de legitimidade. O vilão mais comum é o clima, mas também entram nesse rol as mudanças no calendário, por exemplo quando a Páscoa chega antes.

Agora, a campanha presidencial se junta a elas. Essa explicação tinha alguma validade quatro anos atrás porque o contexto da campanha era o chamado abismo fiscal, que implementaria grandes aumentos nos impostos e cortes de gastos do governo, diz Ken Perkins, presidente da empresa de pesquisa Retail Metrics.

Premissa questionada

As campanhas presidenciais muitas vezes criaram incertezas nas cúpulas das empresas. Os executivos se preocupam com o que acontecerá com a política fiscal, com o comércio e com os gastos do governo.

Mas a suposição de que esse temor está chegando à classe média é discutível, mesmo que essa seja uma campanha "maluca", segundo Perkins. Enquanto isso, alguns indicadores de confiança dos consumidores americanos estão nos níveis mais elevados em nove anos.

"Eles passaram do ponto", disse Perkins. "Não acredito que a campanha esteja afetando as mães quando elas saem para fazer as compras semanais. Se é algo que você faz com regularidade, você vai deixar de fazer porque está preocupado com qual candidato vai ganhar? Isso não parece estar afetando as vendas da Amazon."

A seguir, exemplos de executivos que culpam Hillary Clinton e Donald Trump por suas dificuldades.

Todd Penegor, CEO do Wendy's (10 de agosto): "Há muitas incertezas na cabeça do consumidor nessa eleição."

Mark Light, CEO da Signet (25 de agosto): "Há uma eleição presidencial, algo único neste ano, e acho que há algumas características muito particulares que podem estar afetando o imaginário dos consumidores, pelo menos até que ela termine."

Art Peck, CEO da Gap (7 de setembro): "A eleição aqui nos EUA gera um nível de incerteza que provavelmente está inquietando os consumidores no momento."

Greg Creed, CEO da Yum (6 de outubro): "Há uma grande incerteza em relação ao que vai acontecer nos EUA, em particular, como resultado da eleição. Não é preciso dizer que as pessoas estão meio que tentando decidir quem vão escolher e qual impacto essa escolha terá sobre a economia. As pessoas podem estar se segurando um pouco."

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