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Analista prevê aumento de créditos de emissão da ONU

Mathew Carr

(Bloomberg) -- O valor dos créditos de emissão provavelmente vai aumentar depois da reunião das Nações Unidas sobre o clima, que acontecerá no mês que vem, segundo um escritório de advocacia especializado em energia limpa e meio ambiente.

Enviados trabalharão na criação de regras para que os créditos atuais possam ser utilizados segundo o acordo climático de Paris, que entrará em vigor no dia 4 de novembro após ter sido ratificado antes do agendado, disse Lisa DeMarco, sócia sênior da DeMarco Allan em Toronto, que previu a queda do mercado há quatro anos.

Os projetos de redução de emissões talvez precisem entrar em programas nacionais e superar obstáculos regulatórios para que se tornem aptos a gerar créditos negociáveis, que poderão ser utilizados pelos países para cumprir as metas de emissões após 2020, disse ela em entrevista por telefone.

Os representantes que participarem da reunião da ONU em Marrakesh, Marrocos, de 7 a 18 de novembro, terão autoridade para definir normas conforme o acordo, em vez de simplesmente debatê-las.

As novas medidas poderiam estimular a demanda em um mercado que perdeu 98 por cento do valor em meio a anos de marasmo político e resistência dos países que dependem da receita gerada com a venda de combustíveis fósseis. Um acordo da ONU para limitar as emissões de viagens aéreas internacionais foi adotado formalmente na quinta-feira, fato que aumenta a demanda pelos créditos.

"O mercado ficou em uma espiral descendente durante sete anos", disse Renat Heuberger, diretor do South Pole Group, investidor em projetos de energia limpa com sede em Zurique. "Agora, a espiral vai se mover na direção oposta."

Discussão

O Brasil está pressionando para que os países possam utilizar os créditos atuais de Certificados de Emissões Reduzidas (CER) do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo da ONU (MDL) criado pelo Protocolo de Kyoto de 1997 para atingir suas metas nacionais estipuladas pelo acordo de Paris, de acordo com uma apresentação feita no dia 2 de outubro.

O Japão busca guidance "com a maior brevidade possível e no máximo até 2018", segundo a apresentação do país, no dia 27 de setembro.

No atual mercado da ONU, países desenvolvidos com metas climáticas financiam projetos de redução de emissões em outros lugares, o que lhes rende CERs que podem ser usados para compensar a própria produção de gases causadores de efeito estufa. Segundo o acordo de Paris, os limites e normas para todos os países serão refeitos.

Provavelmente os enviados da América do Norte e da UE se oponham a qualquer elegibilidade automática dos atuais créditos da ONU porque os EUA não participaram do Protocolo de Kyoto, o Canadá se retirou e os países europeus estão preocupados com a integridade ecológica de alguns projetos de Kyoto, disse DeMarco, que tem mais de 19 anos de experiência nas leis relativas ao comércio de emissões.

"A reunião do mês que vem em Marrakesh será um encontro de advogados", disse ela. Após uma reunião sobre mudança climática organizada em Doha, em dezembro de 2012, ela projetou que os créditos cairiam. Eles despencaram 50 por cento na semana seguinte, para 31 centavos de euro (US$ 0,35) por tonelada. Os CERs para dezembro encerraram a sexta-feira a 38 centavos de euro na ICE Futures Europe em Londres.

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