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Lamentações marcam reunião de líderes financeiros em Washington

Hugh Son, Yalman Onaran e Sangwon Yoon

(Bloomberg) -- Mary Callahan Erdoes, que ocupa um dos cargos mais altos do JPMorgan Chase, descreveu o clima no setor financeiro da seguinte maneira: "Não há empolgação", ela disse a executivos de bancos reunidos em Washington. "Há muita tensão."

Os palestrantes do encontro de três dias do Instituto Internacional de Finanças, que terminou no sábado em Washington, reclamaram repetidamente da incapacidade dos bancos centrais de estimular o crescimento econômico, do ônus trazido por regulamentações mais rígidas e do impacto que acompanhará a saída do Reino Unido da União Europeia.

Preocupações com os crescentes custos jurídicos do Deutsche Bank azedaram ainda mais o humor dos participantes.

O crescimento econômico lento não dá motivos para as empresas se expandirem, aumentando a frustração da população e criando espaço para a ascensão de visões políticas extremas e sentimentos nacionalistas, disse Erdoes, 49 anos, que comanda a divisão de gestão de recursos do JPMorgan.

Os juros baixos - em vez de incentivos fiscais melhores - estão onerando todo o sistema, segundo ela. "Um economista muito inteligente no JPMorgan me fez a seguinte pergunta: Como fica o capitalismo se o capital não tem custo? É aí que está o problema."

Cerca de 1.600 executivos do setor financeiro assistiram aos painéis de discussões no Ronald Reagan Building and International Trade Center, que fica próximo ao Monumento Washington. Os esforços internacionais de estímulo receberam as maiores críticas durante o evento.

Gary Cohn, segundo na hierarquia do Goldman Sachs Group, se referiu aos bancos centrais de importância global como um "cartel ineficaz", considerando que as medidas da Europa e do Japão levaram as taxas de juros para território negativo e ataram as mãos de outras autoridades. A perspectiva é que o crescimento permaneça baixo no longo prazo, disse ele.

"Não vejo isso mudando", afirmou Cohn na sexta-feira. "Ficamos dizendo que estamos mais perto do fim, mas não acho que estejamos mais próximos do fim."

Mais bagunçado

Mohamed El-Erian, principal conselheiro de economia da Allianz SE, concordou que os bancos centrais perderam vantagem na era de "juros ultrabaixos e negativos". Segundo ele, as empresas se tornaram mais avessas ao risco.

"Olhando para os próximos cinco anos, acho que o mundo de baixo crescimento destrói a si mesmo", afirmou El-Erian, que também é colunista da Bloomberg View, em um painel no sábado. "Politicamente, está ficando mais e mais bagunçado", o que influencia a política de juros e leva a situações como o Brexit.

Comandantes de bancos como James Gorman, do Morgan Stanley, afirmaram que, embora necessárias, as regras mais rígidas motivadas pela crise financeira de 2008 podem prejudicar a economia e agora as instituições precisam encontrar um caminho para a prosperidade.

"Se quiser crescimento maior, é preciso deixar que os bancos trabalhem", disse Gorman. "Este é um setor essencial para o crescimento econômico global. O desafio é estarmos todos juntos nisso. Então, os bancos coletivamente precisam se elevar a um padrão não de perfeição, mas de profissionalismo global."

Horror com o Brexit

A esperada saída do Reino Unido da União Europeia após o referendo deste ano parece dolorosa e "horrenda", declarou durante a conferência o presidente do Standard Chartered, Bill Winters.

Outros fizeram afirmações parecidas.

"Eu não consigo ver nada de bom nisso", disse David Wright, responsável pela EuroFi, durante as discussões da quinta-feira. "Eu vejo uma série de decisões de segunda e terceira classe a serem tomadas. É ruim para o Reino Unido, com certeza. É ruim para a Europa, com certeza.

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