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Fuga de capital da China pode ser pior do que parece, diz Goldman Sachs

Bloomberg News

(Bloomberg) -- As fugas de capital da China podem ser maiores do que parecem, com o alerta do Goldman Sachs de que uma quantidade crescente de dinheiro está saindo do país em yuan em vez de dólares.

Embora as reservas cambiais do país tenham se estabilizado e as aquisições líquidas de moeda estrangeira de credores para clientes tenham caído para perto do piso em um ano, dados oficiais mostram que US$ 27,7 bilhões em pagamentos em yuans saíram da China em agosto. O número se compara com uma média mensal de US$ 4,4 bilhões nos cinco anos até 2014.

Essas movimentações transfronteiriças de grande porte não podem ser explicadas pelos fatores do mercado e devem ser levadas em conta ao calcular os fluxos de saída de moeda, segundo MK Tang, economista sênior do Goldman Sachs para a China em Hong Kong.

Qualquer sinal de aumento nos fluxos de saída de capital poderia perturbar uma calma recente no mercado cambial chinês, o que aumentaria a pressão de um possível aumento dos juros do Federal Reserve e prejudicaria a imagem do yuan como a mais nova moeda de reserva internacional do mundo. O yuan caiu para a cotação mais baixa em seis anos na segunda-feira, piorando as pressões dos fluxos de saída.

"Há certa janela de guidance do banco central que limita a conversão onshore de dólares das empresas, por isso elas precisam movimentar o dinheiro para o exterior em yuan", disse Harrison Hu, economista-chefe do Royal Bank of Scotland para a Grande China em Cingapura. "Mas elas não estão muito dispostas a reter o yuan por causa das expectativas de desvalorização, então elas vendem a bancos no exterior. Isso pressiona a taxa de câmbio do yuan offshore."

Mercado offshore

O Goldman Sachs começou a incluir fundos em yuans na sua análise dos fluxos de saída em julho, após perceber que a movimentação transfronteiriça da moeda ocultava as pressões reais. O banco estima que 56 por cento e 87 por cento dos fluxos de saída passaram pelo mercado do yuan offshore em julho e em agosto, respectivamente. Um indicador da Bloomberg -- que não inclui fluxos de saída diretos em yuan -- estima que mais de US$ 550 bilhões abandonaram o país neste ano até agosto.

O yuan enfraqueceu 3,3 por cento frente ao dólar neste ano, a maior desvalorização em um ranking de moedas asiáticas, e a mediana de estimativas de uma pesquisa da Bloomberg projeta que a moeda cairá mais 0,5 por cento no restante do ano. O yuan recuava 0,2 por cento, para 6,7179 por dólar às 18:15 em Xangai, a cotação mais fraca desde setembro de 2010.

"Temos visto uma mudança estrutural na saída de capital da China, com pagamentos líquidos no exterior predominantemente em yuan", disse Raymond Yeung, economista-chefe do Australia & New Zealand Banking Group em Hong Kong. "Isso alivia a pressão de desvalorização do yuan no mercado onshore. A conversão cambial não está ocorrendo onshore. É por isso que não nos surpreende ver que as reservas de moeda estrangeira foram preservadas."

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