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Alta do alumínio pode durar com custo maior na China

Yuliya Fedorinova

(Bloomberg) -- Os preços do alumínio continuarão subindo porque as fundições chinesas estão sendo espremidas pelos preços cada vez mais elevados da matéria-prima, que dificultam a expansão da produção, de acordo com a United Co. Rusal, segunda maior produtora mundial do metal.

Os preços do carvão térmico subiram cerca de 60 por cento neste ano e a energia responde por aproximadamente metade do custo de produção do alumínio nas fundições chinesas.

Os preços da alumina também estão subindo, segundo Oleg Mukhamedshin, vice-CEO da Rusal. Isso significa uma menor probabilidade de que as plantas ociosas sejam reativadas, apesar de os preços do alumínio terem aumentado neste ano.

"Os preços crescentes das matérias-primas estão elevando a curva de custo das produtoras chinesas", disse Mukhamedshin por telefone, de Londres. "A tendência atual de recuperação dos preços é sustentável."

A alta do alumínio tem sido impulsionada pela forte demanda chinesa, estimulada pelo boom do crédito e da construção e pela produção menor que a esperada. O metal negociado em Xangai subiu 18% neste ano e está perto do nível mais elevado desde abril. Em Londres, os preços acumulam alta de 11% em 2016.

Mais equilibrado

"O mercado se tornou mais equilibrado" com o aumento de 2% da produção chinesa neste ano, disse Mukhamedshin. Como resultado, haverá um déficit global de até 700 mil toneladas neste ano, disse ele. Esse número subirá para 1,2 milhão de toneladas em 2017 e poderá chegar a 1,8 milhão de toneladas em 2018, projetou.

A visão da Rusal é contrária às expectativas de alguns analistas. O Citigroup e o Deutsche Bank ressaltaram os riscos do aumento da produção das fundições de baixo custo na China em meio ao aumento dos preços do alumínio.

Uma maior capacidade de fundição deverá chegar ao mercado até o fim do ano e prejudicará os preços, disse Xiong Hui, analista-chefe da empresa estatal de pesquisa Beijing Antaike, nesta semana.

As exportações chinesas de alumínio bruto e acabado caíram ligeiramente neste ano, dando algum alívio às produtoras internacionais. O total exportado até o fim de setembro foi de 3,47 milhões de toneladas, contra 3,56 milhões de toneladas há um ano, segundo dados aduaneiros de quinta-feira da China.

Os analistas reavaliarão projeções após se reunirem com clientes durante a LME Week, disse Mukhamedshin. A Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) realiza seu fórum anual na semana de 31 de outubro. As projeções negativas se deveram às expectativas de que mais plantas chinesas retomarão as operações, o que não está ocorrendo porque o setor está mais consolidado e porque o governo ampliou o controle, disse ele.

A demanda chinesa por alumínio subiu 9% neste ano, contrastando com expectativas anteriores de crescimento de 7%, segundo dados da Rusal. A produtora russa informou que a demanda aumentará 6% a 7% no ano que vem e que o crescimento da produção cairá.

Devido ao déficit do mercado, os estoques deverão cair mais, disse Mukhamedshin. Isso se refletiu nos prêmios, que começaram a subir, disse ele.

"A era das commodities baratas está lentamente indo embora", disse ele.

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