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Análise: Dólar à espera de um gatilho para firmar tendência

Josué Leonel

  • Karen Bleier/AFP

(Bloomberg) -- Nem a aprovação definitiva do impeachment de Dilma Rousseff nem a expressiva vitória do governo na aprovação do teto de gastos foram suficientes para atrair um fluxo mais forte de investimentos para o país e tirar o mercado de câmbio do lugar.

O dólar vem alternando altas e baixas diante do real há cerca de dois meses, mantendo-se ao redor de R$ 3,20 e sem firmar uma tendência clara para cima ou para baixo.

Entre os fatores citados no mercado como possíveis gatilhos para um aumento do fluxo, o preferido é o avanço nas reformas fiscais, enquanto a política monetária americana aparece entre os riscos negativos para o câmbio.

O ajuste das contas públicas poderia atrair dólares mediante o aumento do investimento direto, captações de empresas brasileiras no exterior, ingressos para a bolsa e aplicações de renda fixa.

Não necessariamente haverá um gatilho único que vai tirar o dólar da atual relativa estabilidade, diz Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos. "Podemos ter uma combinação de eventos, como a aprovação de reformas, concessões e queda da inflação, com o cenário externo se comportando bem", diz o economista.

O dólar tende a continuar perto de R$ 3,20 até o final do ano e cair para em torno de R$ 3,00 em 2017 quando o teto de gastos e a reforma da Previdência estiverem aprovados, diz o economista da Rio Bravo, instituição melhor colocada no ranking Top Five de curto prazo do Banco Central, que reúne as cinco estimativas mais precisas em relação ao valor do dólar.

A alta dos juros pelo Fed, prevista para dezembro, poderá mudar a tendência do dólar apenas se o BC americano fizer algo inesperado, como sinalizar que o aperto monetário não vai ser gradual como o mercado estima.

Buccini considera que a queda dos juros poderá ser uma ferramenta mais adequada do que intervenções diretas no câmbio para o BC segurar o real. O estoque de swaps já está perto do final e o BC tende a evitar os custos fiscais de assumir uma posição ativa no instrumento, diz o economista.

Quanto às reservas, há um consenso de que o país já tem um volume maior do que o necessário e o próprio BC já sinalizou que, no momento adequado, vai discutir se vale ou não a pena pagar o custo de ter um estoque ainda maior de dólares.

Buccini diz estar relativamente otimista com o programa de reformas do governo, mas considera que só em 2018 a economia deve registrar um crescimento mais significativo.

Ainda assim, ele considera que o teto de gastos e a mudança da Previdência devem ser suficientes apenas para tirar o país da recessão e assegurar um ritmo modesto de expansão do PIB, na casa de 2%. Segundo o economista da Rio Bravo, um ciclo mais longo de reformas será necessário para o país voltar a crescer acima de 3%.

--Com a colaboração de Davison Santana e Rafael Mendes

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