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Guerra contra carvão não consegue deter alta dos preços

Ladka Bauerova e Mathew Carr

(Bloomberg) -- É possível perceber que a guerra contra o carvão não está funcionando quando o combustível apresenta alta de 50% no ano.

Os preços na Europa e na Ásia se recuperaram de meia década de declínios depois que a China reduziu tanto a produção doméstica que as consumidoras locais tiveram que ampliar as compras no exterior.

Mesmo com os países desativando plantas e o maior fundo soberano de gestão de fortunas do mundo vendendo participações em empresas de carvão, a demanda continuará com pouca mudança durante décadas, segundo a Agência Internacional de Energia e a BHP Billiton.

Analistas do Commerzbank e a consultoria de energia Nena AS preveem que os preços se manterão nos níveis atuais pelo menos até o fim do ano porque o inverno no Hemisfério Norte ampliará a demanda e porque a França desligará algumas usinas nucleares para verificações de segurança.

"Devido à guerra contra o carvão, os investidores querem diversificar", disse Guillaume Perret, diretor da Perret Associates em Londres, que realiza pesquisas sobre o setor. "Mas a demanda ainda existe."

O ressurgimento do carvão beneficiou mineradoras como a Glencore e a Anglo American, com alta de 37% das ações das commodities em 2016, grupo setorial de melhor desempenho do índice europeu Stoxx 600. O Barclays mudou sua visão para a mineração europeia para positiva no mês passado, dizendo que o setor poderia entregar ganhos de mais de 20%.

Energia nuclear

A demanda por energia alimentada por combustíveis fósseis deverá aumentar depois que a empresa Électricité de France (EDF) reduziu a produção em algumas de suas 58 usinas nucleares francesas para extensas verificações de segurança.

A interrupção reduziu a energia atômica disponível da EDF para 46 gigawatts, 16% abaixo dos níveis normais, segundo Bruno Brunetti, diretor sênior de eletricidade da Pira Energy. Cada gigawatt é suficiente para abastecer 2 milhões de lares europeus.

A mineradora BHP prevê que o uso de carvão em todo o mundo continuará nos níveis atuais nas próximas duas décadas e analistas da AIE veem a demanda aumentar 0,4% ao ano até 2040 no seu cenário de base.

Na Europa, a produção de carvão caiu 3,4% no ano passado e o uso do combustível caiu apenas metade disso, mesmo após medidas do Reino Unido para fechar todas as plantas de carvão até 2025, mostram dados da BP.

O apoio do investidor ao carvão está diminuindo, o que prejudica o abastecimento, em um momento em que as economias internacionais tentam se distanciar dos combustíveis fósseis.

A capacidade planejada de geração à base de carvão caiu 14% neste ano até julho porque instituições como o JPMorgan e o Citigroup prometeram reduzir participações em projetos de carvão. Neste ano, o fundo soberano de investimento da Noruega, o maior do mundo, começou a excluir de seus investimentos algumas minas e empresas de energia que utilizam o combustível.

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