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Análise: Fluxos mostram desconfiança da Itália na UE

Mark Whitehouse

(Bloomberg) -- Será que a Itália seguirá o exemplo do Reino Unido e deixará a União Europeia? A ideia pode parecer distante, mas os fluxos de capitais sugerem que muita gente não quer esperar para ver.

Para manter as contas da zona do euro equilibradas, os bancos centrais da Europa acompanham os fluxos de dinheiro entre os integrantes da união monetária.

Por exemplo, se um depositante transferir 100 euros da Itália para a Alemanha, o Banco da Itália registra um passivo no Eurosystem e o Bundesbank (o banco central alemão) registra um crédito. Se um banco central começa a acumular passivos rapidamente, pode ser sinal de fuga de capitais.

Ultimamente, o banco central italiano tem acumulado mais e mais passivos no Eurosystem. No final de setembro, eram 354 bilhões de euros, ou 118 bilhões a mais do que um ano antes e 78 bilhões a mais do que no fim de maio --antes de os britânicos votarem pela saída da UE.

A saída de capitais não é tão grande quanto a observada durante a crise de dívidas soberanas em 2012, mas é significativa. A Alemanha é aparentemente a grande beneficiária. Seus créditos no Eurosystem aumentaram em 160 bilhões de euros no último ano.

Por que a saída de recursos da Itália se acelerou? Uma explicação é a preocupação com os bancos locais, que estão sofrendo as consequências da concessão de empréstimos equivocados, da governança ruim e de um novo sistema de supervisão na zona do euro que dificulta resgates. Outro aspecto é político.

O primeiro-ministro Matteo Renzi atrelou seu destino ao resultado de um referendo sobre reforma governamental em dezembro. Uma eventual derrota fortaleceria oponentes dele que desejam forçar uma votação sobre a permanência da Itália na UE. Neste contexto, não surpreende que alguns depositantes prefiram não manter euros italianos, diante da chance de serem eventualmente convertidos em liras.

Seja qual for o motivo, a fuga de capitais não reflete confiança no projeto europeu. Os líderes da UE precisam ter isso em mente quando negociarem os termos da saída do Reino Unido.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do conselho editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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