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Envelhecimento populacional afeta novo padrão de normalidade

Jeanna Smialek

(Bloomberg) -- O criador da turma do Snoopy, Charles Schulz, fez uma tirinha dizendo que, passado o topo da montanha, a velocidade começa a aumentar. Ele claramente não estava falando da economia global.

Os países desenvolvidos estão envelhecendo e um número cada vez maior de estudos sugere que questões demográficas estão limitando o crescimento potencial e estabelecendo um teto para as taxas de juros.

Essas pesquisas estão motivando uma ampla reavaliação dentro dos bancos centrais, que podem se ver com pouco espaço para cortar juros e impulsionar o crescimento na próxima recessão.

O envelhecimento muda tudo.

O vice-presidente do banco central dos EUA (Federal Reserve), Stanley Fischer, usou este conceito em um discurso em 17 de outubro.

Os autores do estudo usado por ele (intitulado "Understanding the New Normal: The Role of Demographics", ou "Entendendo o novo normal: o papel da demografia") concluíram que o crescimento econômico contido e os juros baixos eram previsíveis, a partir de um modelo que considera variações na população dos EUA, composição das famílias, expectativa de vida e mercado de trabalho. Estas são mudanças de longo prazo e, assim, o ambiente de baixo crescimento que criaram está fadado a persistir.

A maior parte da desaceleração induzida pela situação demográfica se concretizou desde 2000, de modo que "as pressões baixistas sobre juros e crescimento do PIB por causa da demografia podem ser facilmente mal interpretadas como influências persistentes, mas temporárias em última instância, da crise financeira global".

Ou seja, nós achávamos que o crescimento andava mal das pernas porque estávamos voltando à normalidade, mas talvez o crescimento lento e os juros baixos sejam normais.

O envelhecimento populacional também está por trás da atitude mais caseira dos americanos.

Eles têm mudado de Estado com menos frequência, o que significa que estão menos inclinados a aceitar transferências para locais onde há empregos que se encaixam melhor com suas habilidades e interesses, perpetuando os descasamentos no mercado de trabalho.

No estudo "What Caused the Decline in Interestate Migration in the United States?" ("O que causou o declínio da migração interestadual nos EUA"), os economistas que trabalham no escritório regional do Fed em Nova York tentaram descobrir o que motiva isso.

O envelhecimento explica de forma direta menos de 20% da queda na migração interestadual, eles concluíram. Porém, quando incluídos os efeitos indiretos, o fator explica metade da desaceleração.

A teoria é que uma parcela maior da mão de obra está chegando à meia-idade e gente no meio da carreira profissional tem menos tendência a sair de onde vive. Assim, o recrutamento local se tornou mais eficiente para as empresas, o que diminuiu o ritmo de mudanças devido a novos empregos em todo o espectro etário.

Esta é uma era de incertezas.

Se você sente que vive em um mundo em constante turbulência, o Global Economic Policy Uncertainty Index lhe dá razão. O índice esteve 60% mais alto entre julho de 2011 e agosto de 2016 do que nos 14 anos e meio anteriores e 22% mais alto do que em 2008-2009, no auge da crise financeira global.

Por que? O criador do índice, o economista Steven Davis, da Faculdade de Administração Booth da Universidade de Chicago, cita a crise de imigração na Europa, preocupações com a transição econômica na China e o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.

A anexação da Crimeia pela Rússia e o avanço do populismo não ajudaram. O índice de Davis, ponderado pelo PIB, é uma combinação de índices de incerteza de 16 países responsáveis por dois terços do produto mundial. Os índices nacionais se baseiam na frequência de termos relativos a incerteza veiculados em reportagens nos jornais desses países.

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