Capital mexicana dos homicídios tem sinais de febre do ouro

Eric Martin

(Bloomberg) -- No estado mexicano de Guerrero, há muito escondido na terra, segredos tão macabros quanto maravilhosos. As sepulturas anônimas espalhadas pelas ladeiras das montanhas dão a Guerrero o apelido de capital mexicana do homicídio. Mas lá também existe ouro, muito ouro.

A Torex Gold Resources, que tem sede em Toronto, inaugurou sua primeira mina no início do ano, uma rara vitória dos esforços do México para impulsionar o crescimento econômico em um estado devastado pela guerra entre quadrilhas de traficantes que disputam a produção do ópio usado para fabricar a heroína consumida nos EUA.

Outras duas mineradoras canadenses, a Timmins Gold e a Minaurum Gold, têm planos de explorar e desenvolver minas próprias. Em uma região com pouco a seu favor, autoridades e trabalhadores locais têm esperanças de que o trio de investimentos seja o início de algo maior.

Embora Guerrero e os estados vizinhos Oaxaca e Chiapas respondam por um décimo da população do México, eles receberam menos de 3 por cento do investimento estrangeiro direto nos últimos 16 anos.

Os casos de assassinatos e sequestros têm mantido os investidores longe. Cocula, a cidade mais próxima às minas da Torex, é mais famosa no mundo por abrigar o depósito de lixo onde os corpos de 43 estudantes universitários foram queimados em 2014.

O governo federal alega que um prefeito local vinculado a um cartel de narcotraficantes os capturou para evitar que participassem de protestos. No litoral de Guerrero, o resort de Acapulco, antes destino turístico (Bill e Hillary Clinton passaram sua lua de mel lá), se transformou na cidade mais violenta do estado em menos de uma geração.

'Belo ativo'

"Estamos bastante envolvidos com nosso pessoal de segurança para monitorar os riscos", diz Fred Stanford, 57, presidente e CEO da Torex. Além disso, os projetos de mineração são um "belo ativo".

É possível dizer que Guerrero e Torex precisam um do outro. Os únicos ativos da Torex são a mina a céu aberto -- inaugurada em abril -- e um projeto adjacente. O investimento de US$ 800 milhões da empresa para desenvolver El Limón-Guajes é o maior da história de Guerrero. A Torex planeja investir cerca de US$ 500 milhões a mais para iniciar o projeto vizinho de Media Luna em cerca de cinco anos.

O empreendimento da Torex sinaliza "para o mundo que a mineração é fundamental para o México porque gera riqueza e igualdade social, sobretudo nos lugares mais pobres", disse o Ministério da Economia, em comunicado, em 28 de abril, acrescentando que o investimento gerará 600 empregos.

A história de assassinatos e pobreza de Guerrero faz com que o projeto da Torex seja ainda mais importante, diz Michael Harvey, que preside a força-tarefa de mineração da Câmara Canadense de Comércio no México.

O investimento da Torex "significará 20 a 30 anos de empregos", disse Harvey, em entrevista, na Cidade do México. "A mineração oferece empregos muito bem remunerados em regiões onde as pessoas contam com poucas oportunidades diferentes.

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