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Guia de vencedores e perdedores do Brexit com queda da libra

Jill Ward e Andre Tartar

(Bloomberg) -- A libra atingiu uma mínima recorde desde o referendo do Brexit, segundo um indicador. Essa notícia é boa ou ruim? Depende de quem responde à pergunta.

O efeito da depreciação ainda está chegando à economia, mas já afeta muitos atores -- empresas, consumidores, investidores, visitantes estrangeiros -- de maneiras simples e complexas, a curto e a longo prazo. Muito vai depender também de quanto a libra ainda cairá e por quanto tempo.

Vencedores

Exportadores britânicos: no caso de uma empresa que vende muito para o exterior, os produtos dela ficaram mais baratos para os clientes. As fabricantes britânicas de gim e a Burberry estão celebrando. A Burberry aliás acaba de divulgar um bom salto nos lucros relacionado à libra.

Em setembro, um indicador da atividade industrial registrou o resultado mais forte desde junho de 2014 graças ao impulso às exportações gerado pela taxa de câmbio.

Conta corrente britânica: com a queda da libra, as exportações e a renda dos investimentos britânicos no exterior valerão mais, compensando a dependência do Reino Unido em relação a produtos e capital estrangeiros.

Economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg preveem que o déficit em conta corrente do país, perto de um recorde de 7% do PIB, cairá para 3,9% até meados de 2017 e o Banco da Inglaterra estima que cairá pela metade nos próximos três anos.

Investidores em ações do Reino Unido: os mercados foram pegos de surpresa pela vitória do "não" no referendo de 23 de junho, mas após a forte queda inicial o FTSE 100 Index subiu quase 20 por cento, atingindo uma alta recorde. Com isso os investidores colheram benefícios a curto prazo, em parte graças ao câmbio.

Turistas que visitam o Reino Unido: Para os visitantes que convertem moeda estrangeira em libra é como se tudo nas lojas do Reino Unido de repente estivesse em promoção. O gasto livre de impostos dos visitantes subiu 37% em agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Perdedores

Consumidores britânicos: o declínio da libra deverá aumentar a inflação para 2,2% em média no ano que vem, contra praticamente zero em 2015, segundo a última pesquisa da Bloomberg, o que significa que o dinheiro dos consumidores valerá cada vez menos.

Custo de abastecimento das empresas: os preços dos insumos -- incluindo matéria-prima, peças e equipamentos importados e outros custos -- subiram a um ritmo anual de 7,2% em setembro, mostram dados oficiais, forçando as empresas a escolherem entre reduzir as margens de lucro ou oferecer preços mais elevados aos clientes.

Poupadores britânicos: assim como os consumidores, que estão sobrecarregados pelo aumento da inflação, os poupadores verão a queda do poder de compra de suas economias, independentemente de planejarem sacar ou diversificar para ativos denominados em outras moedas.

Enquanto isso, as taxas de juros provavelmente permanecerão em mínimas recorde depois que o Banco da Inglaterra reduziu os juros em agosto e sugeriu a possibilidade de uma maior flexibilização no futuro.

Turistas do Reino Unido: os britânicos que planejam passar uns dias na Espanha podem ter uma surpresa desagradável quando forem fazer câmbio no aeroporto ou sacar dinheiro de um caixa automático no exterior. Desde o referendo, a libra perdeu 10 por cento a 18 por cento de seu valor em relação às cinco moedas dos destinos de viagens favoritos dos britânicos.

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