Mercado de imóveis na China pode sofrer ressaca em 2017

Bloomberg News

(Bloomberg) -- As medidas da China para acalmar o descontrole do preço dos imóveis podem ter causado uma consequência imprevista -- provocar a chegada de uma debandada de compradores antes de mais restrições.

Como as tentativas de evitar uma bolha estão se intensificando -- limites imobiliários foram implementados em pelo menos 21 cidades e as incorporadoras chegaram a ser proibidas de usar palavras como "exclusivo" e "mais barato" em propagandas --, esse benefício para o salário dos corretores poderia estar prestes a acabar.

Isso apresenta um dilema para os responsáveis pela política econômica, que desejam evitar uma bolha imobiliária potencialmente destrutiva sem acabar com um dos principais pilares do crescimento da economia. A maioria das restrições impostas até o momento tem o objetivo de acalmar a especulação imobiliária limitando as pessoas de comprar diversas propriedades e elevando os requisitos de pagamento inicial, em vez de criar obstáculos para as incorporadoras.

"O governo central está cauteloso com a ideia de um crescimento conduzido pelos imóveis", disse Raymond Yeung, economista-chefe para a Grande China do Australia & New Zealand Banking Group em Hong Kong. "Apesar de ajudar a estabilizar o impulso econômico, não propicia reformas estruturais no lado da oferta."

O valor das vendas de casas novas disparou 61 por cento em setembro em comparação com o ano anterior, quase o dobro do ritmo registrado em agosto. A animação do setor imobiliário ajudou a segunda maior economia do mundo a crescer 6,7 por cento no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, cravando a metade da faixa meta do governo para o crescimento em 2016, de 6,5 por cento a 7 por cento.

Planos das incorporadoras

As incorporadoras -- que vinham relativamente cautelosas por seus estoques de casas não vendidas nas cidades menores -- deram sinais de que estão aderindo ao boom.

O começo de novas construções, um dos principais indicadores do investimento imobiliário, subiu 14 por cento em setembro em relação ao mês anterior, o ritmo mais rápido desde abril, de acordo com cálculos da Bloomberg baseados nos dados oficiais publicados na quarta-feira. As incorporadoras compraram 20 por cento mais terrenos em termos de valor total que no ano anterior, o maior ganho em dois anos. O investimento concluído na incorporação imobiliária aumentou 5,8 por cento nos primeiros nove meses do ano, mostraram os dados de quarta-feira, recuperando-se levemente.

"Os indicadores mostram que a economia está bastante estável por enquanto, com apoio principalmente de imóveis e infraestrutura", disse Larry Hu, chefe de economia da China da Macquarie Securities em Hong Kong. "O ciclo de queda poderia começar a aparecer no próximo ano, quando as medidas de ajuste começarem a pesar."

Com exportações ponderadas pelo lento crescimento mundial, uma inversão nos imóveis geraria dúvidas sobre a possibilidade de que a atual estabilização econômica se mantenha em 2017.

"O crescimento do investimento imobiliário não sofrerá uma queda rápida", disse Chen Shen, analista em Xangai da China Securities Co. "Mas, considerando-se os sinais de que o governo implementará controles mais rígidos sobre o financiamento das incorporadoras e o mercado de terrenos, a pressão é iminente."

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