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Relação Rússia-Europa enfrenta tempestade em Marte e na Terra

Helene Fouquet

(Bloomberg) -- Enquanto Rússia e Europa discutem por diversos motivos, como Síria e Ucrânia, seu único projeto conjunto também enfrenta uma tempestade -- em Marte.

O pouso do primeiro módulo científico da Roscosmos, a agência espacial russa, e da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) se dirigia para uma tempestade nesta quarta-feira, o que deixa a missão de exploração ExoMars à mercê de uma das terríveis tempestades de areia marcianas que varrem periodicamente o Planeta Vermelho.

Enquanto cientistas dos dois lados trabalham conjuntamente para garantir o pouso seguro do módulo, na Terra autoridades russas e europeias têm fortes divergências em relação a diversos assuntos. O presidente da França, François Hollande, acusou Vladimir Putin, da Rússia, de cometer crimes de guerra na cidade síria de Alepo. As negociações entre Putin, Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel, e o presidente ucraniano Petro Poroshenko, em Berlim, pode não ter muito progresso. Essas divergências são colocadas de lado no momento em que suas agências espaciais avançam rumo a um objetivo comum: levar a nave espacial Schiaparelli a 175 milhões de quilômetros de distância.

"É angustiante, mas se pudermos pousar em uma tempestade de areia global, poderemos aterrissar em qualquer lugar!", disse Thierry Blancquaert, engenheiro da ESA e gerente principal do módulo. "Nós construímos a Schiaparelli levando em conta essa possível tempestade. Acrescentamos uma camada adicional na cobertura para evitar erosão e garantir que ela pudesse suportar os ventos."

Nova fronteira

Para a ESA, o sucesso da Schiaparelli provaria sua capacidade de pousar e transmitir informações de outro planeta. Embora seja curta -- de apenas alguns dias --, a missão do módulo é vista como um passo importante para ampliar a exploração de Marte pela Europa e pela Rússia. O planeta é a nova fronteira de agências espaciais do mundo interior, da China aos EUA.

A tentativa de pouso é o primeiro passo da missão em duas partes da ESA, de 1,5 bilhão de euros (US$ 1,65 bilhão), que foi lançada em março do centro espacial de Baikonur, no Cazaquistão, com um foguete russo Proton. A segunda parte da missão está programada para 2020, quando as agências buscarão pousar um veículo próprio em Marte.

Desde o primeiro pouso, em 1971, oito naves espaciais pousaram em Marte e transmitiram informações com sucesso. A primeira foi um módulo russo. Todas as outras foram dos EUA. A Beagle 2, da ESA, pousou com sucesso em 2003, mas não conseguiu implementar todos os seus painéis solares, o que impossibilitou a transmissão.

A missão ExoMars foi pensada como um programa conjunto entre EUA e Europa até 2012, quando o presidente Barack Obama cortou recursos da divisão de ciência planetária, forçando os europeus a recorrerem aos outros mestres do espaço, a Rússia.

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