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El-Erian favorece dinheiro em espécie com distorção de mercados

Wes Goodman

(Bloomberg) -- Mohamed El-Erian disse que está favorecendo tanto o dinheiro em espécie quanto os investimentos mais arriscados, como venture capital, em sua própria carteira.

El-Erian está menos otimista em relação às ações e títulos, porque os bancos centrais elevaram seus preços a patamares "distorcidos", disse ele em entrevista, em Cingapura. O dinheiro em espécie representa cerca de 30% de sua carteira, proporção maior do que a da maioria das pessoas, segundo El-Erian.

"Existe um risco enorme nos mercados públicos porque eles foram os mais distorcidos pelos bancos centrais", disse El-Erian, principal assessor econômico da Allianz e colunista da Bloomberg View. "É muito difícil dizer que vou comprar uma cesta de ações públicas e relaxar durante cinco ou dez anos e estar feliz com os retornos. A mesma coisa acontece com os títulos."

Os bancos centrais dos EUA, do Japão e da Europa recorreram a aquisições de ativos sem precedentes para tentar dar suporte à economia. Agora, o Federal Reserve (Fed) está analisando o segundo aumento das taxas de juros em um ano.

O Banco do Japão abandonou os planos de reduzir os rendimentos da nota de referência com vencimento em 10 anos, o que gerou a especulação de que a autoridade monetária está avaliando limites para suas medidas de estímulo.

Estratégia bipolar

El-Erian descreveu sua abordagem de investimento como uma estratégia com dois polos, que favorece ativos em ambos os extremos do espectro de risco e mantém menos no meio, como títulos corporativos e soberanos, ações e ativos de mercados emergentes.

Os rendimentos do título de referência do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos caíram para o valor mais baixo da história em julho e o S&P 500 Index atingiu um pico recorde em agosto.

Um investidor "moderado" pode ter 5% em dinheiro em espécie, mas uma carteira "conservadora" reservaria 30%, com base nos modelos de alocação de ativos compilados pela Charles Schwab Corp.

Antes de entrar na Allianz em 2014, El-Erian foi CEO e um dos diretores de investimento, junto com Bill Gross, da Pacific Investment Management Co. O Pimco Total Return Fund se tornou o maior fundo de investimentos do mundo quando eles trabalhavam na empresa.

O fundo chegou a US$ 293 bilhões em 2013 e hoje tem US$ 84,4 bilhões. A Allianz é a controladora da Pimco. Atualmente, Gross trabalha na Janus Capital Group.

Os mercados financeiros se "desvincularam" dos problemas econômicos do mundo, como o referendo de junho em que o Reino Unido decidiu sair da União Europeia, disse El-Erian.

Embora haja uma chance de que os fundamentos econômicos melhorem e validem o preço dos ativos, um cenário mais provável é que as avaliações caiam e provoquem instabilidade financeira, disse ele.

"Agora, as probabilidades estão começando a tender para uma perspectiva ruim", disse El-Erian. "Estão começando a tender para um crescimento baixo, abrindo as portas para períodos de recessão. Atualmente, é melhor ser vendedor do que comprador de ações."

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