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Análise: Ganho de Wall Street na renda fixa desafia expectativas

Lisa Abramowicz

(Bloomberg) -- Wall Street teve um trimestre surpreendentemente bom no mercado de renda fixa.

Os cinco maiores bancos de investimento dos EUA superaram de longe as expectativas com a negociação de títulos de dívida nos três meses encerrados em 30 de setembro. Juntos, apresentaram receita com renda fixa de US$ 14 bilhões, ou 27% a mais do que a projeção de US$ 11 bilhões de analistas sondados pela Bloomberg.

A diferença de US$ 3 bilhões entre expectativa e realidade é notável porque, supostamente, o negócio de dívida está mais transparente do que nunca. A diferença também reflete a dificuldade de estimar a receita dos bancos grandes e, em particular, das atividades de renda fixa, notavelmente tumultuadas.

A operação não só é sujeita aos altos e baixos dos volumes negociados. Alguns segmentos são mais lucrativos do que outros. Alguns bancos conseguem extrair mais receita do que outros de determinadas empreitadas.

Cada vez mais, operadores dos grandes bancos arranjam casamento entre compradores e vendedores sem colocar dinheiro próprio em risco, mas ainda têm títulos em suas carteiras e o valor desses papéis flutua.

Por exemplo, uma reportagem no Wall Street Journal relatou que um trader de junk bonds ganhou mais de $100 milhões comprando dívidas de alto rendimento em janeiro, quando os preços estavam no chão, e realizou o lucro mais adiante. Como os analistas podem embutir esse tempo nas projeções?

O terceiro trimestre foi bom para atividades de renda fixa de todos os tipos. Será então que o desempenho excepcional pode ser atribuído à sorte? Talvez por isso os executivos dos bancos estejam com um sorriso contido e não dando pulos de alegria.

"São resultados bons no trimestre, mas precisamos disso vários anos, não vários trimestres", afirmou Jonathan Pruzan, diretor financeiro do Morgan Stanley, durante teleconferência na quarta-feira para discutir os números.

"Vimos aperto dos spreads, ambiente melhor na Europa com as compras pelo Banco Central Europeu, volumes melhores de negócios com papéis em situação de estresse", ele disse, "então houve bom desempenho diante do bom pano de fundo".

Para Harvey Schwartz, diretor financeiro do Goldman Sachs, a melhor forma de descrever o trimestre é: "Não foram os ventos favoráveis, foi não ter tantos ventos contrários."

No futuro, continuará difícil prever a lucratividade da negociação de títulos de dívida. Há muitas mudanças no horizonte, com parcela maior do mercado migrando para sistemas eletrônicos e os bancos dos EUA tirando participação dos bancos europeus mais fracos.

A negociação de títulos de dívida foi destaque positivo no terceiro trimestre, mas é difícil saber se essa operação voltou a ser lucrativa de modo definitivo. Fazer essa projeção pode ser ainda mais difícil.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

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