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Empresas dos EUA distribuem US$ 1 tri em dividendos e recompras

Oliver Renick e Rebecca Spalding

(Bloomberg) -- Empresas dos EUA devem desembolsar uma quantia recorde de US$ 1 trilhão em recompras de ações e distribuição de dividendos em 2016. Será difícil superar essa marca.

De acordo com estrategistas do Barclays, componentes do S&P 500 gastarão US$ 600 bilhões recomprando ações e US$ 400 bilhões em dividendos até o fim do ano. Seria a maior quantia anual já distribuída a acionistas. Tem sido difícil manter essa generosidade porque os lucros vão mal há seis trimestres e os níveis de caixa das companhias começam a diminuir.

Assim, o número de empresas que elevaram os dividendos no terceiro trimestre encolheu e um número maior de companhias está emitindo dívida para bancar seus programas de recompra de ações, segundo dados da S&P Global e do JPMorgan Chase. Para quem investe nas bolsas dos EUA, isso significa que um dos pilares da fase de alta do mercado ? que já dura sete anos e meio ? pode estar ruindo.

"Isso tem sido bastante importante para manter os múltiplos onde se encontram hoje", disse Bill Schultz, que supervisiona US$ 1,2 bilhão como diretor de investimentos da McQueen, Ball & Associates em Bethlehem, no Estado da Pensilvânia. "Parte da implicação seria não haver suporte altista tão agressivo para as ações como havia no passado."

Dividendos e recompra de ações tiveram papel fundamental no avanço das bolsas desde 2009, uma vez que os juros baixos proporcionaram ambiente propício à tomada de empréstimos corporativos. O dinheiro continuava barato e a perspectiva de entradas regulares de dinheiro fez com que investidores migrassem de ativos geradores de renda, como títulos de renda fixa, para ações.

As empresas intensificaram esses desembolsos de tal modo que a quantia gasta em recompras e dividendos supera de longe seus lucros há seis trimestres consecutivos -- o período mais longo desde uma fase de dois anos iniciada em 2007, segundo o BNP Paribas.

Agora os dados sugerem perda de fôlego. O aumento líquido dos dividendos pelas empresas americanas foi de US$ 6 bilhões no último trimestre, comparado a US$ 10 bilhões um ano antes, de acordo com a S&P Global. Já as recompras podem diminuir no ano que vem, segundo o Barclays.

"O que observamos desde 2011 é um crescimento extraordinariamente alto dos desembolsos aos acionistas que tende a recuar para níveis de longo prazo", afirmou Stewart Warther, estrategista de ações e derivativos do BNP. "As condições financeiras se restringiram um pouco e, consequentemente, as empresas tentam tranquilizar os detentores de títulos e buscam crescimento potencialmente orgânico que pode ser o catalisador das distribuições."

As recompras não diminuirão tão facilmente. Diante do estreitamento das margens de lucro e da piora do caixa, as empresas continuam bancando distribuições com dinheiro emprestado. Nos últimos 12 meses, 34 por cento das recompras foram pagas por novas emissões de dívida, comparado a 22 por cento no ano passado, de acordo com o JPMorgan.

A queda nos anúncios de recompra não será o início de uma tendência maior, de acordo com relatório de pesquisa divulgado pelo banco em 17 de outubro. As recompras já concluídas são melhor indicador da disposição de uma empresa a gastar dinheiro e os juros persistentemente baixos permitirão maior alavancagem pelas companhias, escreveu a equipe liderada por Dubravko Lakos-Bujas.

Por ora, os desembolsos aos acionistas aumentaram para uma fatia maior do dinheiro disponível para pagá-los. Em termos absolutos, as distribuições em 2015 bateram recorde e representaram parcela maior dos lucros operacionais do que em qualquer período desde 1994, a não ser em uma fase entre 2008 e 2009.

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