Bolsas

Câmbio

África deve encarar realidade de preço baixo de commodities, diz funcionário do FMI

Andrew Mayeda

(Bloomberg) -- Os exportadores de commodities africanos poderão gerar um impacto "desordenado" em suas economias se não se adaptarem à realidade dos preços baixos, disse um alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Alguns governos da África Subsaariana têm demorado para "internalizar" o fato de que os preços do petróleo e de outras commodities provavelmente permanecerão baixos, disse Abebe Aemro Selassie, diretor do departamento do FMI para a África. Os países precisam deixar suas moedas se ajustarem à demanda inferior e reforçar seus balanços, implementando reformas para melhorar a competitividade e amortecer o impacto sobre os pobres, disse ele.

"A alternativa é um processo de ajuste mais desordenado quando você acaba ficando sem moeda estrangeira, sem espaço fiscal", disse Selassie em entrevista em Washington. "São decisões políticas muito difíceis e não temos a ilusão de que será fácil colocá-las em prática."

Abatida pela queda das commodities e pela demanda global anêmica, a economia da África subsaariana deverá se expandir 1,4 por cento neste ano, o ritmo mais lento em mais de duas décadas, segundo o fundo com sede em Washington. A Nigéria, um dos maiores produtores de petróleo da África, deverá registrar sua primeira contração anual em cerca de 25 anos e o crescimento deverá ser quase nulo neste ano na África do Sul, maior produtor de ouro, cromo e carvão do continente.

Queda do petróleo

Apesar de o preço do petróleo ter subido mais de 35 por cento neste ano, para cerca de US$ 50 o barril na segunda-feira, ele continua na metade do pico de junho de 2014.

O FMI projeta que o crescimento na região irá acelerar no ano que vem para pouco menos de 3 por cento, contra 1,4 por cento neste ano, mas apenas se as autoridades das maiores economias agirem rapidamente para corrigir desequilíbrios e dissipar a incerteza política.

O quadro do crescimento se divide em "duas Áfricas", com as 23 economias exportadoras de commodities da região sob forte pressão e os 22 países restantes registrando crescimento razoavelmente alto, afirmou o FMI em projeção para a região divulgada na terça-feira.

Selassie afirmou que a implementação de políticas pelos produtores de commodities foi "inadequada e incompleta".

"Em alguns casos, é basicamente a expectativa de que os preços se recuperarão, e há alguns investimentos já em andamento no setor de petróleo", disse Selassie, economista etíope veterano do FMI que assumiu o departamento da África no mês passado. "Existe a expectativa de que o aumento da produção tornará as coisas melhores novamente."

Os governos, de maneira geral, vêm cortando investimentos para equilibrar seus orçamentos em vez de adotarem o caminho melhor dos cortes direcionados e das medidas duráveis para elevar a receita tributária, afirmou o FMI na projeção. Os países têm relutado em permitir que suas moedas se desvalorizem conforme a necessidade, afirmou o fundo.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos