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EUA ganham participação de mercado na exportação de trigo

Manisha Jha e Megan Durisin

(Bloomberg) -- Os EUA ganharão uma participação maior do mercado global de trigo nesta safra. O clima ruim que prejudicou o cultivo na França e no Canadá ajuda o segundo maior exportador do mundo a ampliar os embarques em relação ao menor nível em 44 anos registrado na temporada passada.

As exportações de trigo dos EUA deverão subir 26 por cento no ano que começa em 1º de junho, para 26,5 milhões de toneladas, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês). A estimativa é que a participação do país nas exportações globais de trigo também subirá para 15 por cento, nível mais alto em três anos, contra 12 por cento na safra passada.

Os estoques crescentes dos EUA ajudaram a reduzir os preços e a atrair compradores. Os futuros do trigo dos EUA em Chicago atingiram o menor nível em uma década no fim de agosto e agora são negociados a cerca de US$ 4,02 o bushel.

Além de ampliar as exportações em seus mercados tradicionais na América Latina e na Ásia, os EUA deverão expandir sua presença no Norte da África, segundo relatório do USDA com data de 12 de outubro. O trigo da União Europeia perdeu participação de mercado nessa região devido à produção baixa e a problemas de qualidade.

As Filipinas, o México, o Japão e o Brasil estão entre os maiores compradores do trigo dos EUA neste ano. A Argélia e a Indonésia estão entre os demais países que também ampliaram as compras.

Maiores exportadores

"Os EUA estão na posição mais forte para exportar trigo de qualidade entre os principais exportadores, incluindo Canadá, UE e Austrália, que foram atingidos por preocupações com a qualidade", disse Benjamin Bodart, diretor da assessoria agrícola CRM Agri-Commodities em Newmarket, Inglaterra.

A França, maior produtora de trigo da UE, viu sua produção de trigo brando cair 32 por cento, para 28 milhões de toneladas nesta safra, depois que as chuvas excessivas reduziram os rendimentos ao nível mais baixo em três décadas. O trigo que pode ser exportado para a UE e para os países de fora do bloco é estimado em 5 milhões de toneladas nesta safra, 60 por cento menos que no ano passado, segundo a AIT Ingredients, unidade da Soufflet.

O Ministério da Agricultura francês alertou que a qualidade é muito ruim e não atende às exigências de grandes compradores, como a Argélia e o Marrocos. A perda do país no mercado global foi o ganho dos americanos e a Argélia deverá comprar 193.740 toneladas dos EUA desde o início do ano-safra, segundo o USDA. Esse é o maior compromisso para esta época do ano em nove anos, mostram dados do USDA.

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