Queixas sobre euro ameaçam economia e populismo avança na região

Alessandro Speciale e Carolynn Look

(Bloomberg) -- Partidos contrários ao establishment estão ganhando terreno no coração da União Europeia e podem representar um desafio maior para a economia da região do que aqueles que conquistaram adeptos nos países periféricos da região nos últimos anos.

Embora os populistas da Espanha e da Itália se rebelem contra políticas fiscais restritivas e o enfraquecimento das redes de segurança sociais, a reação na França e na Alemanha se concentra na união monetária em si.

Partidos que defendem abertamente abandonar o euro estão ganhando impulso às vésperas de um ano eleitoral na região, e os políticos que duvidam da integração da UE já estão distorcendo decisões de política econômica. A região belga Valônia impediu um acordo comercial com o Canadá na semana passada.

Economistas, investidores e executivos de empresas temem que, além de pesar sobre as perspectivas de crescimento, a ascensão de nacionalistas de direita possa colocar em risco o futuro da UE depois que os britânicos decidiram, em referendo, abandonar o bloco.

Os movimentos populistas provocaram tensões nos vínculos entre os estados-membros, tendo como alvo inclusive o Banco Central Europeu, cujas políticas protegeram a região das piores consequências da turbulência financeira.

"Nos países periféricos da região, os partidos populistas se opõem à austeridade, mas de forma geral estão prontos para negociar a permanência na União Europeia e no euro", disse Aline Schuiling, economista sênior do ABN Amro Bank em Amsterdã. "Mas no centro, o ceticismo é mais profundo e não deveríamos subestimar esse risco."

Schuiling mora em um país onde um partido de extrema direita e contrário ao euro disputa acirradamente com os liberais do governo atual nas pesquisas de opinião pública antes da eleição marcada para março. Mas a Holanda não é o único país onde o populismo está em alta.

Questões como refugiados, aumento da desigualdade de renda e ameaças terroristas estão dominando cada vez mais o debate político da Europa, e até o presidente do BCE, Mario Draghi, se envolveu.

Em um discurso recente em Trento, na Itália, ele disse que é "essencial" que os líderes tomem medidas conjuntamente em áreas como defesa e migração se quiserem recuperar o apoio dos cidadãos da UE.

Investidores preocupados

Entre os investidores consultados pelo Bank of America Merrill Lynch, o medo de uma separação da UE é um dos riscos econômicos extremos mais comumente citados. Empresas dos EUA consultadas pela Câmara Americana de Comércio na Alemanha afirmaram que o populismo era sua segunda maior preocupação em relação à Europa, depois da instabilidade econômica.

"Chegamos mais rapidamente a cenários que há seis anos nunca esperaríamos que se materializassem, então por que não acreditar na possibilidade de uma reação negativa contra a globalização ou da reinstituição das fronteiras?", questiona David Milleker, economista-chefe da Union Investment Privatfonds em Frankfurt.

"Não ocorrerá uma separação súbita. Em vez disso, algumas leis protecionistas vão ser promulgadas aqui, alguns controles de capital serão instituídos ali -- vai ser uma morte lenta e dolorosa."

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