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Ignore detratores que se opõem ao trading de alta frequência

Camila Russo e John Detrixhe

(Bloomberg) -- Em todo o mundo, os gênios da velocidade de Wall Street são frequentemente vistos como os vilões do mercado acionário.

À medida que as empresas de trading computadorizado passaram a dominar a compra e a venda de ações, elas foram acusadas de explorar os investidores e provocar surtos de volatilidade extrema, e foram retratadas por Michael Lewis como parte de um sistema especulativo no famoso livro "Flash Boys". O Bundesbank afirmou que elas podem desencadear "flash crashes" e policiá-las é uma questão eleitoral para Hillary Clinton.

Mas, pelo menos nos círculos acadêmicos, as empresas de trading de alta frequência (HFT, na sigla em inglês) são retratadas mais frequentemente como heróis.

Desde 2013, os estudos positivos superaram em número os negativos por uma margem de 2 a 1, mostrou uma pesquisa de banco de dados dos 30 artigos mais citados sobre HFT. Pesquisadores concluíram que as firmas automatizadas reduziram os custos do trading e, ao contrário da opinião popular, melhoraram a profundidade e a estabilidade do mercado. Trata-se de uma inversão do que foi observado no período anterior de três anos, quando a maioria dos estudos foram inconclusivos ou negativos. Os resultados foram compilados com o mecanismo de busca de pesquisas acadêmicas da Microsoft.

"De forma geral, a literatura defende fortemente que as empresas de HFT são positivas", disse Jonathan Brogaard, professor da Universidade de Washington e um dos autores de "High-Frequency Trading and Price Discovery" ("Negociação de alta frequência e descoberta de preço", em tradução livre), que foi mencionado por outros pesquisadores mais de 350 vezes como o artigo mais citado.

Mudança cognitiva

O fato de que o pêndulo da opinião acadêmica tenha oscilado claramente a favor do HFT tem a ver simplesmente com a existência de uma quantidade de dados maior, e de melhor qualidade, para analisar. Como o trading automatizado passou para o primeiro plano apenas na última década aproximadamente, não havia muita informação disponível para que os primeiros pesquisadores estudassem e realizassem comparações históricas, de acordo com Brogaard.

As conclusões em seu artigo, escrito com Terrence Hendershott e Ryan Riordan, contradizem a alegação comum de que o HFT deixa os mercados mais frágeis. Para eles, essas empresas tornam os mercados mais estáveis e eficientes, até mesmo quando a volatilidade aumenta, porque realinham os preços rapidamente.

O segundo artigo mais citado, "Low-Latency Trading" ("Negociação de baixa latência", em tradução livre), escrito por Joel Hasbrouck, da Universidade de Nova York, e Gideon Saar, da Universidade Cornell, fornece evidências que põem em dúvida uma das críticas mais persistentes feitas ao HFT: usar tecnologia superior para se antecipar aos pedidos dos investidores e lucrar às custas deles.

Esse artigo, que analisou pedidos e execuções na Nasdaq, sugere que as firmas de HFT melhoram a qualidade do mercado. Elas ajudaram a estreitar o diferencial entre cotações de compra e venda, um indicador da liquidez, e reduziram as oscilações de curto prazo, de acordo com o estudo, que foi citado 328 vezes.

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