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Turbinas espaciais levam Lockheed a nova fronteira energética

Anna Hirtenstein

(Bloomberg) -- A Lockheed Martin afirma que a engenharia usada para as turbinas movidas pelas marés suportarem os golpes implacáveis dos oceanos da Terra não é muito diferente da empregada para as máquinas produzidas pela empresa sobreviverem às condições extremas do espaço sideral.

A maior empreiteira do setor de defesa do mundo busca redirecionar uma parcela maior de seu conhecimento em alta tecnologia militar aos mercados civis. A nova missão da Lockheed Martin, portanto, é aplicar mais de um século de know-how em tecnologias de energia renovável que poderão mitigar os desafios da mudança climática na segurança internacional.

"As marés necessitam de fabricação, engenharia e integração de sistemas avançados", disse o vice-presidente de energia da Lockheed Martin, Frank Armijo, em entrevista na conferência Bloomberg New Energy Finance, em Londres. "Usamos parte da mesma tecnologia que usamos em nossos programas espaciais para ajudar a proteger os sistemas dentro da turbina."

O giro da Lockheed Martin em direção aos mercados internacionais de energias renováveis reflete tendências mais amplas no setor militar. Depois do Google, o Departamento de Defesa dos EUA é o segundo maior comprador de eletricidade livre de emissões do país norte-americano em uma tentativa de estimular a segurança energética.

Ao mesmo tempo, líderes militares subiram o tom do alerta a respeito de possíveis conflitos que serão gerados pelo aquecimento global descontrolado.

Tecnologias únicas

"A Lockheed Martin está envolvida em tecnologias energéticas há décadas, atendendo as necessidades de muitos dos nossos clientes federais e de defesa", disse Armijo. "Além disso, temos algumas tecnologias únicas que acreditamos que possam ser oferecidas ao mercado de energia."

A Lockheed Martin Energy, uma unidade do negócio de mísseis e controle de incêndio da Lockheed com sede em Prairie, Texas, nos EUA, atualmente está trabalhando com a Atlantis Resources em uma unidade de energia de maré na Escócia.

A turbina de maré AR1500 que as empresas instalarão utiliza materiais e processos de fabricação desenvolvidos pela Lockheed Martin para ajudar os ônibus espaciais dos EUA a suportarem as duras condições do espaço sideral. A próxima fase do projeto será instalada na segunda quinzena de novembro e a conclusão está prevista para o início da próxima década.

O que aumenta a urgência da diversificação internacional e do foco da Lockheed nas energias renováveis são os cortes recentes no orçamento dos EUA para defesa.

Em seu relatório anual de 2015, a Lockheed informou aos investidores que estava "buscando reduzir nossa dependência de contratos com o governo dos EUA" porque os "significativos desafios fiscais e econômicos" do governo americano representavam riscos para seus negócios.

"Nós prevemos que 50 por cento do nosso crescimento virá do mercado internacional", disse Armijo. "Historicamente, nós não estivemos focados nisso, nós tínhamos negócios e crescimento suficiente nos EUA onde, em essência, tem estado nossa prioridade e nosso crescimento. Mas agora que consolidamos todo o nosso portfólio energético, acreditamos que existe uma oportunidade de ir para o mercado internacional."

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