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Empresas centenárias buscam escritórios descolados em Paris

Marie Mawad e Ania Nussbaum

(Bloomberg) -- A disputa por espaços para escritórios no distrito tecnológico de Paris está provocando o aumento dos preços, e é provável que o interesse demonstrado por pilares da indústria, como Renault-Nissan e General Electric, faça com que o valor dos aluguéis dispare na busca por posicionar funcionários nessa zona empresarial.

A GE recebeu jornalistas europeus em suas instalações no local na semana passada, durante um hackathon inaugural, para uma visita guiada no novo centro digital da empresa, localizado em Le Sentier, onde ficam os escritórios franceses do Google, do Facebook e da empresa de carona compartilhada Blablacar.

E a Renault-Nissan planeja contratar 300 técnicos especializados neste ano, alguns na região de Paris, e debate atualmente se o coração criativo da cidade é o melhor lugar para os novos contratados.

"Queremos dar aos recrutados um lugar legal para trabalhar, onde estejam muitas startups e ideias novas, modernas, interessantes", disse Ogi Redzic, responsável por veículos conectados e serviços de mobilidade da aliança entre fabricantes de automóveis, em entrevista. "Os carros são um setor sexy, mas também quero garantir que os desenvolvedores que trouxermos tenham o tipo de ambiente que eles esperam."

Em resumo, empresas do setor industrial estão descobrindo que um imóvel de primeira é fundamental para conquistar os desenvolvedores, cientistas de dados e especialistas em nuvem do Vale do Silício.

Mas isso tem um preço: só o aluguel aumentou 25 por cento nos últimos seis anos no distrito tecnológico de Paris -- especificamente, os distritos 1, 2 e 9 da cidade, ao norte do Louvre, em um antigo distrito têxtil --, de acordo com um relatório de setembro da consultoria imobiliária Knight Frank.

Um escritório de 56 metros quadrados em Le Sentier, o coração do distrito tecnológico parisiense, custa cerca de US$ 57.426 por ano. É aproximadamente US$ 9.200 menos que em Shoreditch, a capital das startups de tecnologia de Londres, e cerca de US$ 4.000 menos que no Mid-Market, em São Francisco.

O valor não inclui apenas o aluguel -- também abrange tarifas como os custos de serviços, infraestrutura de internet e comissão imobiliária. Mas é quase o triplo do cobrado em Amsterdã.

"Há muita concorrência por talentos de tecnologia, então as empresas que buscam esses candidatos estão desenrolando o tapete vermelho, e a localização do escritório é parte dessa sedução", disse Cyril Robert, chefe de pesquisa sobre o mercado francês da Knight Frank.

"Algumas empresas de fora do setor tecnológico também estão indo para onde a inovação está e querem participar da cultura criativa e da curiosidade que emanam das startups."

O escritório ideal é central, facilmente acessível a pé ou em transporte público, e perto do lugar onde os candidatos potenciais moram -- para gente do setor tecnológico, geralmente são bairros modernos e animados --, para que os funcionários possam sair para resolver alguma coisa ou voltar para casa com facilidade quando trabalham até tarde, disse Robert.

Em retorno, as empresas podem contar com que os funcionários passarão mais horas no escritório, os clientes e parceiros terão acesso mais fácil e, é claro, profissionais talentosos talvez aceitem um salário mais baixo em troca de um escritório com uma localização de primeira, disse ele.

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