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Margarita Louis-Dreyfus empenha ações para garantir empréstimo

Andy Hoffman e Javier Blas

(Bloomberg) -- A bilionária Margarita Louis-Dreyfus empenhou parte das ações de sua família na trading de commodities homônima para garantir um empréstimo de US$ 475 milhões com o Credit Suisse.

Embora a existência dos empréstimos à empresa controladora Akira BV tenha sido divulgada no ano passado, o empenho das ações veio à tona apenas neste mês em relatório anual apresentado na Holanda.

A dívida, com pagamento programado para 2019 e 2020, foi usada para cumprir obrigações para compra de ações no negócio de trading de alimentos de membros do clã Louis-Dreyfus que não são familiares diretos da bilionária. De 2008 para cá, ela aumentou sua participação de 50 por cento para cerca de 81 por cento.

A revelação ocorre em um momento em que Margarita Louis-Dreyfus, 54, enfrenta novas exigências financeiras porque outros acionistas defendem seus direitos de vender participações.

A Akira, companhia que a presidente do conselho da trading, nascida na Rússia, utiliza para controlar a Louis Dreyfus, confirmou no relatório que cinco integrantes da família ofertaram no ano passado ações que representavam 16,6% adicionais. A participação pode custar até US$ 1 bilhão, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

Louis-Dreyfus, que assumiu o controle da trading após a morte de seu marido, Robert, em 2009, disse no ano passado que estudou a venda de uma participação minoritária na trading a investidores externos ao avaliar opções de financiamento para a aquisição das participações dos membros restantes da família.

Louis-Dreyfus prefere não comentar o assunto, segundo uma porta-voz.

A Akira informou em nota divulgada junto com suas contas anuais de 2015 que "com a linha de crédito, simultaneamente, a companhia assinou um contrato de penhor com o Credit Suisse". A Akira "atualmente não possui obrigações sob o contrato de penhor", informou a companhia no relatório, apresentado à Câmara Holandesa de Comércio.

O penhor de ações com o Credit Suisse está relacionado a um fundo familiar criado para administrar os ativos de Robert Louis-Dreyfus antes que fossem herdados pelos três filhos do casal. Do total emprestado, US$ 440 milhões vencem em novembro de 2019 e os US$ 35 milhões restantes, um ano depois, informou a Akira no relatório.

Além de ter que adquirir a participação dos demais acionistas, Louis-Dreyfus enfrenta a queda dos lucros e dos dividendos da trading que opera com produtos alimentares como trigo e suco de laranja. A Akira recebeu um dividendo de US$ 24,4 milhões em junho, mostra o último comunicado, mais de 90% menos que o pagamento de US$ 260,5 milhões recebido no ano passado.

O valor patrimonial da Louis Dreyfus Holding caiu mais de US$ 1 bilhão no fim de 2015, para US$ 5,05 bilhões, segundo as contas da companhia, que também foram apresentadas na Holanda. Com isso, o valor acionário da Akira caiu de US$ 3,8 bilhões em 2014 para US$ 3,3 bilhões em 2015, segundo o comunicado.

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