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EUA lutam para atrair interesse em negócio de criação de peixes

Deena Shanker

(Bloomberg) -- Se alguém te oferecesse a chance de investir milhões de dólares em um negócio que ninguém quer, você aceitaria?

Para o governo dos EUA, a resposta é um sonoro sim. Desde 2007, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) -- apesar dos grandes obstáculos políticos, sociais e ambientais -- investiu quase US$ 100 milhões em aquicultura, que é a criação de peixes.

Atualmente, a aquicultura americana é realizada só em águas estaduais a apenas alguns quilômetros da costa. (É o caso do salmão de cativeiro). Mas o governo está tentando ir mais longe no mar, para águas federais, e criar uma indústria de aquicultura offshore.

Depois que a NOAA, nos governos dos presidentes Barack Obama e George W. Bush, tentou -- e fracassou -- aprovar uma lei nacional para a aquicultura no Congresso, a instituição decidiu driblar o Legislativo e criar um controverso sistema de licenciamento para a aquicultura no Golfo do México que prontamente provocou litígios e também a ira de pescadores, barqueiros e ambientalistas.

"Os EUA têm um déficit de cerca de US$ 14 bilhões no comércio de frutos do mar", disse David O'Brien, vice-diretor do escritório de aquicultura da NOAA. "Por que não podemos produzir mais domesticamente, localmente?", questionou. "O déficit ressalta uma oportunidade que não estamos aproveitando."

Mas apesar desse esforço sustentado e caro, o principal componente para qualquer programa de desenvolvimento econômico -- interesse comercial -- ainda não apareceu.

Os EUA já possuem uma enorme indústria de frutos do mar; o país exporta a vasta maioria do que produz e importa a maior parte do que os americanos realmente acabam comendo. Essa "grande troca de peixe americano" levou os ambientalistas a questionarem por que o governo está se esforçando tanto para estimular a aquicultura oceânica, para começo de conversa.

"A criação industrial de peixe pode poluir a água e perturbar os ecossistemas naturais", disse Marianne Cufone, diretora da Recirculating Farms Coalition. "Milhares de peixes escapam das gaiolas regularmente e podem espalhar doenças e parasitas para os peixes selvagens e vencê-los na disputa por alimento, habitat e parceiros.

Em vez de apoiar a antiquada e arriscada aquicultura oceânica, o Western Pacific Council deveria estimular opções mais sustentáveis". (Cufone defende a recirculação, um sistema de aquicultura em terra).

A logística da aquicultura em água profunda exige embarcações caras, âncoras maiores e um melhor planejamento para proteger as espécies ameaçadas de extinção, o que torna o negócio caro demais para pequenas empresas, disse Barry Costa Pierce, diretor do Centro de Excelência em Espécies Marinhas da Universidade da Nova Inglaterra, nos EUA. (Em 2013, a aquicultura oceânica nos EUA representou apenas US$ 327 milhões, contra US$ 5,5 bilhões da pesca comercial).

"É necessário muito capital fora das três milhas da costa [cerca de 5 quilômetros, onde as águas federais normalmente começam]", disse Pierce. "Por definição, estamos falando em aquicultura industrial." A melhor forma de fazer isso, disse ele, seria usar a infraestrutura de águas profundas existente das sondas de petróleo.

"Se você está falando em desenvolver uma infraestrutura completamente diferente para a aquicultura offshore, separada de uma capacidade já existente, afirmo que sou muito cético a respeito", disse ele. "No Golfo [do México] não vejo muitas companhias correndo para entrar nesse mercado porque elas sabem que não conseguirão ganhar dinheiro."

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