Bolsas

Câmbio

Jornal francês recorre a robôs para aumentar leitura no Twitter

Jeremy Kahn

(Bloomberg) -- Xavier Grangier, diretor de tecnologia e chefe do setor digital do respeitado jornal francês Libération, estava com um problema. Como muitos veículos de comunicação, o Libération enfrentava dificuldades para se adaptar a um mundo onde os leitores cada vez mais encontram conteúdo por meio das redes sociais.

"Nós tínhamos feeds de RSS, mas não estávamos felizes com isso", disse Grangier, em entrevista. O Libération também contava com uma equipe que publicava alguns artigos, escolhidos pelos editores do jornal, todos os dias nas redes sociais, mas o processo, disse ele, era complicado de coordenar.

Em janeiro de 2015, Grangier recorreu à Echobox, uma startup com sede em Londres que utiliza inteligência artificial para gerenciar a publicação de conteúdo editorial por meio das redes sociais.

O software determina o momento mais oportuno para publicar uma reportagem em particular para estimular a leitura, pode recomendar qual manchete ou tuíte divulgar e escolher a melhor fotografia para ilustrar a postagem. Grangier disse que, usando o software para publicar uma média de 27 reportagens por dia, o Libération havia registrado um aumento de 37% no número de pessoas alcançadas no Facebook e de 42% em seu alcance no Twitter.

"Temos muito mais reportagens sendo visualizadas por 100 mil pessoas ou mais do que antes", disse Grangier. Ele também disse que essa estratégia facilitou a vida de seus editores digitais, porque permitiu que passem mais tempo na escolha das reportagens que desejam publicar nas redes sociais e menos tempo na logística de publicar o conteúdo.

Antoine Amann, o fundador da Echobox, disse que teve a ideia da companhia em 2013, quando trabalhou por um breve período como repórter do Financial Times, ao ver a dificuldade dos editores para gerenciar os feeds das redes sociais. Para produzir o software de inteligência artificial que sustenta a Echobox, ele se uniu no ano seguinte ao doutor em Ciência da Computação da Universidade de Cambridge Marc Fletcher.

Atualmente, Fletcher é diretor de tecnologia da Echobox, e Zoubin Ghahramani, professor do grupo de aprendizagem de máquina de Cambridge, atua como conselheiro técnico da empresa.

"Precisávamos construir um sistema que compreendesse o conteúdo como um editor", disse Fletcher.

A Echobox utiliza uma rede neural, um tipo de aprendizagem de máquina desenvolvido para imitar o funcionamento de diferentes partes do cérebro humano. Esse sistema aprende primeiro a composição do público e os hábitos de leitura de cada publicação, depois realiza previsões a respeito da melhor forma de otimizar uma reportagem em particular para as redes sociais. Ao longo do tempo, as previsões devem se tornar mais precisas porque o sistema "aprende" as nuances do público da marca.

A Echobox conta com cerca de 100 clientes até o momento, que vão desde os jornais Le Monde, da França, e La Nación, da Argentina, até o The Straits Times, de Cingapura. Alguns deles, como o Le Monde, permitem que a Echobox leia todo seu feed de notícias para decidir quando e como publicar reportagens nas redes sociais.

Outros, como o programa de televisão científico alemão Galileo, utilizam o software principalmente para testar quais manchetes alternativas ou ilustrações fotográficas gerarão mais tráfego para as reportagens que os editores já selecionaram para publicar.

A Echobox cobra uma tarifa de assinatura dos clientes baseada no número de visualizações de páginas que recebem e os preços aumentam à medida que o tráfego sobe. A companhia preferiu não informar detalhes sobre quanto cobra.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos