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Brexit se mantém como principal preocupação de investidores

Natasha Doff

(Bloomberg) -- Não importa quantos golpes, calotes em títulos e escândalos de corrupção os mercados emergentes enfrentam neste ano, seus riscos são muito menores que os dos países desenvolvidos.

Uma pesquisa com 83 gestoras de recursos encomendada pela NN Investment Partners revelou que o Brexit e a potencial separação da União Europeia são considerados as maiores ameaças aos investimentos. Isso não quer dizer que a turbulência política em lugares como Filipinas e África do Sul não esteja dando muitas razões para preocupação aos gestores de recursos; a diferença é que eles estão conseguindo retornos de dois dígitos com ações e títulos de países em desenvolvimento e se contentando com muito menos nos países avançados.

"Não é o nível absoluto de risco que é importante, e sim como os riscos se movem para cima ou para baixo na escala", disse Patrick Moonen, estrategista em Haia da NN Investment, gestora de recursos que se separou do braço financeiro holandês da ING Groep e que administra US$ 219 bilhões. "Na Europa eles claramente estão aumentando, enquanto nos mercados emergentes estão mais estáveis."

Essa relativa estabilidade está ajudando a atrair recursos das potências BlackRock e Pacific Investment Management Co. para o mundo em desenvolvimento, que já se beneficia com o aumento dos preços das commodities e com a aceleração do crescimento. Se as percepções de risco nos mercados avançados continuarem altas, os países emergentes poderão estender a alta de 14 por cento das ações neste ano, segundo Moonen.

Metade das gestoras de recursos internacionais afirmaram que o plano do Reino Unido de deixar a UE é sua principal preocupação, mostrou a pesquisa de agosto da NN Investment. Em dezembro, um terço citou a crise dos mercados emergentes como a principal preocupação. Agora este item equivale a apenas um quarto. O humor se reflete no fluxo do dinheiro: os fundos de dívidas dos mercados emergentes registraram sua 17a semana consecutiva de entrada de recursos na semana passada, segundo o Bank of America Global Research.

Os resultados da pesquisa se resumem à percepção, segundo Moonen, quando na realidade os riscos políticos são elevados como sempre no mundo em desenvolvimento. Só nos últimos quatro meses, a Turquia evitou um golpe militar, o ministro das Finanças da África do Sul foi convocado pela Justiça em meio à dificuldade para controlar as contas do país e as Filipinas anunciaram planos de romper laços com os EUA.

Os investidores foram prejudicados na semana passada quando o governo de Moçambique anunciou uma segunda reestruturação de dívidas neste ano, enquanto uma investigação sobre a corrupção na Petrobras, no Brasil, continua envolvendo novos membros da elite empresarial e política.

Contudo, há outros fatores que ajudam a sustentar a confiança do investidor no mundo em desenvolvimento. Suas economias deverão crescer 4,6 por cento em 2017, ampliando a diferença em relação aos seus pares avançados para 2,8 pontos percentuais, segundo as últimas estimativas do Fundo Monetário Internacional. E mesmo depois do rali deste ano as ações são negociadas com 22 por cento de desconto em relação aos papéis dos mercados desenvolvidos.

"Quando os fundamentos melhoram, o foco retorna para a avaliação", disse Moonen. "Os mercados emergentes estão claramente mais baratos que os desenvolvidos."

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