Estudo mostra discriminação racial de motoristas do Uber nos EUA

Eric Newcomer

(Bloomberg) -- Motoristas do Uber em Boston cancelaram corridas para homens com nomes que poderiam ser de negros mais de duas vezes do que para outros homens. Negros em Seattle enfrentaram espera notavelmente mais longa por carros do Uber e do Lyft do que clientes brancos. Essas são conclusões de um estudo publicado na segunda-feira por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, da Universidade Stanford e da Universidade de Washington.

"De muitas maneiras, a economia do compartilhamento está se construindo à medida que avança", disse Christopher Knittel, professor da Sloan School of Management do MIT e um dos autores do estudo. "Grande parte disso é um processo de aprendizagem, e não se pode esperar que essas empresas já comecem com tudo perfeito."

Uma nova geração de empresas de tecnologia começou a tentar entender como pode minimizar a discriminação racial. Recentemente, o Airbnb publicou um relatório extenso que estuda o viés racial no site e propôs algumas mudanças em suas políticas. A companhia de aluguel de residências e comprometeu a oferecer mais treinamento a seus anfitriões e a contratar uma força de trabalho mais diversificada. No fim de semana, o Airbnb enviou e-mails aos clientes para informar que a partir do mês que vem eles devem concordar em não discriminar para utilizar o site. Contudo, a empresa resistiu aos pedidos dos ativistas para eliminar fotos de hóspedes e anfitriões de sua plataforma.

No caso dos aplicativos de transporte compartilhado, os pesquisadores também acreditam que nomes e fotos sejam um problema. Essas informações dão aos motoristas meios para discriminar possíveis passageiros. O Uber não mostra fotos de clientes aos motoristas. O Lyft mostra, mas não exige que os passageiros forneçam uma foto. Ambas as empresas, que têm sede em São Francisco, fornecem o nome dos passageiros aos motoristas.

Transporte cancelado

O estudo, realizado em Seattle e Boston, incluiu quase 1.500 corridas. Quatro assistentes de pesquisa negros e quatro brancos -- divididos em metades iguais em homens e mulheres -- solicitaram transporte durante seis semanas em Seattle. Todos usaram fotos nos aplicativos. Um segundo teste foi realizado em Boston com passageiros "cuja aparência lhes permitia passar de forma plausível por um passageiro de qualquer uma das raças", mas usaram nomes "que soavam afro-americanos" ou "que soavam brancos", disseram os pesquisadores. O estudou concluiu que os motoristas do Uber cancelaram desproporcionalmente o transporte de passageiros com nomes que soavam negros, embora a empresa penalize motoristas que cancelam corridas com frequência.

O estudo também observou discriminação no setor de táxis -- um problema conhecido há décadas. O artigo acadêmico não compara a taxa de discriminação entre taxistas e motoristas de aplicativos de transporte compartilhado.

Os pesquisadores propuseram mudanças que o Uber e o Lyft podem implementar para reduzir a discriminação, como não identificar o nome dos passageiros, consequências mais severas para os motoristas que cancelarem a corrida após aceitá-la e análises periódicas da conduta dos motoristas para detectar racismo. Contudo, Knittel reconheceu em uma entrevista que há vantagens no fornecimento de informações pessoais, como a criação de uma experiência mais amigável e eficiente.

"Existe um dilema aqui", disse ele. "Mostrar nomes e fotos tem um benefício possível, e sim, acho que nós concordaríamos com isso. Essas empresas têm que avaliar ambos os efeitos."

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