Honda prefere Tóquio ao Vale do Silício para pesquisa sobre IA

Ma Jie e Yuki Hagiwara

(Bloomberg) -- A Honda Motor comandará sua iniciativa para a inteligência artificial a partir de um novo laboratório em Tóquio. O objetivo é que os pesquisadores possam trabalhar de perto com seus engenheiros para comercializar a tecnologia.

A Honda, que tem sede em Tóquio, iniciará o centro de pesquisa e desenvolvimento no ano que vem e combinará as equipes de IA existentes no Vale do Silício, na Europa e no Japão nas instalações do centro da cidade, segundo Yoshiyuki Matsumoto, presidente do braço de pesquisa da fabricante de automóveis, em grande parte independente. Ao escolher Tóquio em vez do Vale do Silício, a fabricante de veículos aposta que a interação mais próxima entre seus cientistas e desenvolvedores gerará produtos dotados de IA desejados pelos consumidores, disse ele em entrevista.

Os avanços em inteligência artificial estão surgindo como "brotos de bambu após a chuva", por isso chegou a hora de encontrar utilidades comerciais para a tecnologia, casando a pesquisa com a força tradicional do Japão em hardware, disse Matsumoto. "Não faremos muita diferença se fizermos as mesmas coisas que todos os demais do Vale do Silício. E nem todos tiveram sucesso por lá."

Matsumoto vê a IA como o cérebro que combinará tecnologias de robótica, sensores, navegação e conectividade para possibilitar a direção autônoma. A escolha da Honda por Tóquio como base de sua iniciativa no segmento difere da adotada por fabricantes de veículos como a Toyota Motor, que contratou o ex-cientista do setor de defesa americano Gill Pratt para estabelecer e liderar um instituto de pesquisa nos EUA.

Conjunto de talentos

O que sustenta a decisão da Honda é sua crença de que o Japão tem o talento necessário para competir com o Vale do Silício, casa de empresas como Alphabet, Facebook e Uber. Está implícito também o desejo de que os dólares gastos em pesquisa se traduzam em produtos com demanda e valor no mundo real.

Durante anos a pesquisa em inteligência artificial foi incapaz de encontrar uma aplicação comercial em grande escala, até o advento recente de produtos e serviços como a Siri, da Apple. O progresso recente levou fabricantes de veículos como a Toyota a se juntarem a gigantes como Google e Facebook no Vale do Silício para adaptar capacidades de aprendizagem profunda a carros e serviços de mobilidade.

A Honda recorrerá ao conjunto de talentos do Japão nas universidades e poderá colaborar com startups para impulsionar suas capacidades de IA, disse Matsumoto. Para atrair talentos de fora do setor automotivo a Honda adotará um sistema de trabalho e salários mais flexível em vez do rígido sistema hierárquico de remuneração usado em todas as outras partes da companhia.

Alguns especialistas em IA do Vale do Silício podem ser contratados como conselheiros técnicos para contratos de curto prazo para manter a Honda a par do desenvolvimento nos EUA. A Honda atualmente conduz pesquisa de IA no Vale do Silício, no Japão e na Alemanha. A decisão de consolidar a pesquisa de IA não foi finalizada e a companhia poderá anunciar seus planos em abril, disse Matsumoto.

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