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Seca no Vietnã provoca aumento de preço da castanha de caju

Mai Ngoc Chau

(Bloomberg) -- Os consumidores vão tomar um susto com o preço da castanha de caju.

A castanha com forma de rim está se popularizando no mundo mais rápido até mesmo que as amêndoas. A demanda deu um salto de 53 por cento desde 2010 e superou a produção em pelo menos quatro dos últimos sete anos, mostram dados do setor.

Agora, a pior seca em um século no Vietnã, o maior país exportador, está gerando a preocupação de que a oferta se reduza ainda mais em um mercado avaliado em US$ 5,2 bilhões.

A falta de chuva no Delta do Mekong, que antigamente era fértil, e no restante do Vietnã reduziu a produção de suas principais exportações agrícolas, como arroz, pimenta-do-reino, café e frutos do mar.

A safra de castanha de caju deste ano caiu 11%, e os preços locais chegaram a aumentar um terço e bateram recorde, estima um grupo de agricultores. Isso é sinônimo de problemas para os compradores nos EUA, que são de longe o maior importador.

"Nunca houve um ano como este", disse Nguyen Duc Thanh, presidente da Associação de Castanha de caju do Vietnã, em entrevista na Cidade de Ho Chi Minh. Os preços provavelmente continuarão altos até a chegada da próxima colheita, no começo do ano que vem, disse Thanh, que está no setor há três décadas.

Popularização

Embora o amendoim seja de longe o tira-gosto mais popular do mundo, nos últimos anos a castanha de caju superou as nozes e o pistache e só perde para as amêndoas no mercado avaliado em US$ 30 bilhões, mostram dados do International Nut and Dried Fruit Council.

O consumo global de castanha de caju em 2014, o ano mais recente com dados disponíveis, atingiu o recorde de 716.682 toneladas, frente a 469.241 toneladas em 2010, mostram dados do conselho.

A crescente demanda, inclusive na China e em partes da Europa, contribuiu para que as exportações dessem um salto de 70% durante uma década, para 503.713 toneladas, em 2014.

Um quarto das remessas vai para os EUA, onde são consumidas como petisco ou utilizadas na fabricação de alimentos como barras de proteína e leite de castanha de caju. A Índia representa quase um terço do consumo global e é o segundo maior exportador. A Costa do Marfim é o segundo maior produtor, seguida pelo Vietnã.

A indústria da castanha de caju do Vietnã não é completamente dependente de agricultores locais. Cerca de dois terços do que processa foi cultivado em outro lugar. A África Ocidental representou cerca de 46% do total mundial em 2015, e a maioria é processada na Índia, o Vietnã ou Brasil.

Uma produção maior na África poderá compensar a oferta perdida no Vietnã, mas mesmo assim o crescimento da demanda impactará o mercado de frutas secas processadas. Em média, os preços de exportação deram um salto de 22% neste ano, para US$ 7.809 por tonelada em agosto, disse Thanh, que menciona dados do Ministério de Indústria e Comércio do Vietnã. Os preços das remessas foram em média de US$ 9.000 por tonelada no dia 30 de outubro, disse ele.

"Esperamos que a demanda global cresça menos de um dígito neste ano frente à oferta que deverá ser igual ou um pouco inferior à do ano passado", disse Amit Kharbat, vice-presidente sênior da trading company Olam International, a maior exportadora de castanha de caju do Vietnã. "Preços altos neste ano poderiam afetar a demanda geral no ano que vem."

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