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Análise: BC dos EUA eleva perspectiva de aumento nos juros após eleição

Mohamed El-Erian

  • Richard Drew/AP

(Bloomberg) -- Como previsto, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não tomou nenhuma nova medida econômica nesta semana. Assim, a instituição evitou se submeter a análises políticas incômodas apenas seis dias antes da eleição presidencial dos EUA.

No entanto, por meio das palavras e dos votos de seus membros, o banco central deu um passo no sentido de validar as grandes expectativas do mercado (cerca de 70%) sobre um aumento da taxa de juros em dezembro.

O Fed reconheceu o fortalecimento dos argumentos econômicos a favor do que seria o primeiro aumento dos juros desde dezembro do ano passado e apenas o segundo nos últimos dez anos.

As condições do mercado de trabalho continuaram a melhorar, porque a geração de emprego finalmente está sendo acompanhada por aumentos salariais um pouco maiores. As expectativas em relação à inflação vêm subindo, especialmente quando são medidas por indicadores do mercado como os níveis de "inflação implícita" no mercado para títulos do Tesouro protegidos contra a inflação.

E, entre as autoridades, tem havido sinais cada vez maiores de reconhecimento do risco de instabilidade financeira futura como um subproduto do período prolongado de juros ultrabaixos -- embora o Fed não queira insistir nesse ponto.

Isso está ocorrendo apesar de o Fed ter atraído a atenção política que ele, desconfio, considera inoportuna. Em uma época eleitoral bastante bizarra, o banco central foi acusado de mostrar um viés político, em particular em relação aos republicanos.

Enquanto isso, algumas pessoas do outro lado do espectro político pediram para que não houvesse problemas tão perto de uma eleição tão crucial. Por isso o Fed esperava que a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto desta semana fosse um acontecimento sem importância. E, basicamente, foi o que aconteceu, porque não anunciaram novas medidas políticas.

A julgar pelo comunicado resumido -- obteremos mais informações quando a ata for publicada dentro de algumas semanas --, é melhor considerar essa reunião como uma operação de espera.

O Fed admitiu o fortalecimento dos argumentos a favor de um aumento, observando tanto a melhora contínua do mercado de trabalho quanto as perspectivas de uma inflação levemente mais alta.

Mas também manteve suas opções políticas em aberto, e é compreensível. Daqui até a reunião de meados de dezembro, as autoridades terão que avaliar o impacto da eleição e as implicações de dois relatórios mensais sobre emprego, além de monitorar acontecimentos do exterior (principalmente na Europa e na China).

A decisão remete a um contexto mais amplo, que descrevi no início desta semana. Apesar de uma inclinação a empreender ações políticas, bancos centrais de três continentes estão sendo deixados de lado pelas circunstâncias.

Eles também podem estar sinalizando para os mercados uma diminuição gradual da disposição e da capacidade para efetuar as ações que até agora serviram tão bem aos interesses dos investidores: reprimir a volatilidade financeira em um ambiente global marcado por condições econômicas, financeiras, institucionais e políticas surpreendentemente incertas.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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