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Irritada com poluição, China é líder mundial em títulos verdes

Sandy Hendry e Lianting Tu

(Bloomberg) -- A China está ampliando seu domínio no mercado mundial de títulos verdes, justo quando o Acordo de Paris sobre a mudança climática passa a vigorar nesta semana.

O país mais populoso do mundo respondeu por US$ 21,9 bilhões dos US$ 61,1 bilhões em vendas mundiais de títulos verdes neste ano, mostram dados compilados pela Bloomberg. A China, que em 2015 vendeu menos de US$ 1 bilhão nessa dívida, cujo produto é destinado a projetos ambientais, está acelerando normas para canalizar os fundos para reduzir a poluição, informou a Moody's Investors Service em um relatório na semana passada.

"Quando você mora em Hong Kong ou na China, a poluição está lá, incomoda você", disse Vincent Duhamel, diretor da Ásia em Hong Kong da Lombard Odier Darier Hentsch & Cie. "Em vários family offices aqui em Hong Kong, depois que o pai cedeu as rédeas e os filhos assumiram o controle, eles adotaram um ponto de vista muito mais voltado para o investimento de impacto."

A Lombard Odier estima que, dentro de três anos, os títulos verdes equivalerão a 20 por cento do investimento anual de US$ 700 bilhões exigido pelo Acordo de Paris sobre a mudança climática, que entrará em vigor no dia 4 de novembro. A China emitiu novas medidas para aumentar o investimento em setores ecológicos no dia 31 de agosto, antes de o presidente Xi Jinping abrir a reunião do G-20 realizada em Hangzhou em setembro com metas ambientais de cinco anos que ajudariam a transformar a China em "um país lindo, com céu azul, vegetação verde e rios cristalinos".

"Temores relativos aos crescentes níveis de poluição na China e em Hong Kong geraram conscientização sobre as consequências da história de crescimento da China, iniciada poucas décadas atrás", disse Magdalene Teo, diretora de pesquisa sobre renda fixa na Ásia do Bank Julius Baer & Co. em Cingapura. "Um número crescente de investidores do mundo todo, inclusive da China, está interessado em combinar suas metas de investimento com os investimentos sustentáveis para o meio ambiente".

Os setores ecológicos enfrentam seus problemas iniciais. A Shanghai Chaori Solar Energy Science & Technology Co. foi a primeira empresa a dar o calote em títulos onshore em 2014 devido ao excesso de capacidade de painéis solares. O investimento asiático em fontes de energia limpas despencou 41 por cento, para US$ 70,1 bilhões, durante os primeiros nove meses porque governos limitaram os subsídios, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). As autoridades estão tendo dificuldade para integrar às redes elétricas o salto de 13 por cento dado pela produção dessas fábricas neste ano, informou a BNEF.

"A China, de certa forma, está tentando recuperar o tempo perdido", disse Daniel Shurey, analista da BNEF em Nova York. "Grande parte do arrecadado foi usado no refinanciamento. Vimos uma desaceleração do investimento em energia renovável, o que sugere que o refinanciamento não será tão grande no próximo ano".

Título em inglês: A China Bothered by Pollution Grabs Global Green Bond Lead

Para entrar em contato com os repórteres: Sandy Hendry em Hong Kong, shendry@bloomberg.net, Lianting Tu em Hong Kong, ltu4@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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