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Empresa chinesa pretende construir torre mais alta de Londres

James Tarmy

(Bloomberg) -- Em 2013, um representante da Greenland Group, a terceira maior construtora da China, entrou em contato com o estúdio de arquitetura HOK. "Eles disseram que estavam investindo em Londres e que tinham feito uma oferta por um terreno", disse o vice-presidente sênior da HOK, Larry Malcic, sentado com uma xícara de chá na mão em uma tarde recente no escritório de sua empresa em Londres. "Eles tinham feito a lição de casa."

O terreno em questão era o de um galpão em estado precário ao lado de Canary Wharf, região no extremo leste da cidade que se tornou popular nas últimas décadas por sua proximidade com o centro financeiro de Londres. No entanto, nada na região combinaria com o projeto que a Greenland Group pretendia construir: um edifício de 67 andares de 800 milhões de libras (US$ 996,9 bilhões) que, quando concluído, seria a torre residencial mais alta da Europa Ocidental. "Desde o começo eles a projetaram essencialmente como uma torre residencial", disse Malcic. "E queriam extrair valor do lugar, então chegamos ao mais alto possível." (Esta afirmação é literal: se fosse mais alto, o edifício violaria o espaço aéreo do Aeroporto da Cidade de Londres.)

O edifício, chamado The Spire, foi projetado como uma torre ondulada de três pétalas. Sua localização, em uma curva do rio Tâmisa, oferece vistas sem igual de Londres em todas as direções, e suas comodidades, como um salão no 35º andar com uma piscina de borda infinita, um andar inteiro dedicado a salas recreativas e até mesmo uma pista de corrida coberta ao ar livre, o colocariam no topo (literal) do próspero segmento imobiliário de luxo de Londres.

Então, justo quando começaram as escavações para a obra, o Reino Unido decidiu, em referendo, sair da União Europeia e o mercado imobiliário de Londres, que vinha dando sinais de fraqueza, começou a desmoronar.

A Greenland Group prometeu continuar avançando com a construção. "Não é possível afirmar que a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia ("Brexit") não teve nenhum efeito no mercado imobiliário de Londres e sabemos que pode haver certa turbulência no futuro", escreveu Wenhao Qian, diretor administrativo da Greenland Investment, em um e-mail. "Os projetos de destaque, assim como os edifícios icônicos, continuam se saindo bem. Sentimos que as vantagens de Londres -- sua influência internacional, seu caráter cosmopolita e o fato de ser o centro do comércio mundial -- são bons presságios de um futuro positivo, tanto para o mercado imobiliário quanto para a economia em geral."

A dúvida, então, é se o compromisso da Greenland representa um astuto planejamento de longo prazo ou algo mais parecido com estoicismo diante da adversidade.

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