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Mulher moderna ainda é maior responsável por criação dos filhos

Chris Stokel-Walker

(Bloomberg) -- Pode ser que mais mulheres estejam se impondo profissionalmente, mas elas continuam sendo responsáveis pela maior parte do trabalho de cuidar dos filhos.

As mulheres britânicas ainda são responsáveis pelo cuidado dos filhos em 74 por cento do tempo -- mesma proporção do ano 2000, segundo dados divulgados hoje pelo Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido (ONS, na sigla em inglês).

A agulha não se moveu, mesmo que a sociedade pareça ter mudado em outros aspectos. Os casos de discriminação sexual no ambiente de trabalho caíram e as mães têm mais probabilidade do que nunca de serem o maior sustento das famílias. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, tirou dois meses de licença-paternidade, enquanto a CEO do Yahoo, Marissa Mayer, disse que tomaria algumas semanas.

O valor do cuidado infantil não remunerado no ano passado no Reino Unido foi de 132,4 bilhões de libras (US$ 166 bilhões) e a economia do país somou 1,8 trilhão de libras, disse o ONS.

São vários os motivos pelos quais a participação das mulheres no trabalho doméstico não mudou muito, apesar de mais mulheres estarem trabalhando, disse Claire Harding, chefe de pesquisa da Family and Childcare Trust, uma instituição de caridade familiar. O acesso ao cuidado infantil remunerado é uma dificuldade. Em 2015, o Reino Unido introduziu uma política que essencialmente permite que os pais dividam a licença-maternidade, mas a absorção tem sido lenta, disse ela, citando pesquisa da My Family Care, uma provedora de cuidados infantis.

"As horas trabalhadas do pai aumentam depois que ele tem filhos", disse Harding.

Para 1,9 milhão de famílias do Reino Unido, existe outro motivo para as mulheres ficarem com a maior parte do trabalho de cuidado infantil: elas são mães solteiras. O número de famílias com pai ou mãe solteiros subiu 15 por cento desde 1996 e 86 por cento delas são chefiadas por uma mulher.

O principal motivo, contudo, é a desigualdade salarial entre gêneros. "As mulheres ganham muito menos que os homens", disse Harding. "Faz sentido, do ponto de vista financeiro, que elas deixem de trabalhar temporariamente para cuidar dos filhos."

No Reino Unido, a diferença salarial pode ser encarada da seguinte forma: de hoje até o fim do ano, as mulheres estarão efetivamente realizando trabalho não remunerado, segundo o Fawcett Society, um grupo de defesa dos direitos das mulheres.

Dawn Roberts, 61, de Newcastle, Inglaterra, disse que seu marido sustentava a família enquanto ela cuidava de seus dois filhos. Agora que tem um neto, ela pensou que as coisas seriam diferentes.

"Eu não esperava que fosse 50-50, mas pensei que teria mudado um pouco em todo esse tempo", disse ela.

Ela não precisa ir muito longe para buscar um exemplo de mulher que assume uma parcela maior das tarefas. Sua filha, Sharon Newton, 39, não está trabalhando no momento para cuidar do filho pequeno.

"O empregador de meu marido precisava mais dele, e o trabalho é mais baseado na reputação, então foi simplesmente decidido que ele trabalharia", disse ela.

Contudo, Newton disse sentir que o marido faz sua parte. "Nós não fazemos turnos, mas parece estar equilibrado", disse ela. "Acabamos dividindo as tarefas: eu cozinho para nosso filho e ele lava a louça."

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