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Analista que previu colapso do petróleo projeta união da Opep

Sharon Cho e Serene Cheong

(Bloomberg) -- Os integrantes da Opep precisam deixar de brigar pelos limites para a produção ou correrão o risco de que o grupo se torne irrelevante para os mercados de petróleo globais, segundo um analista que previu o maior colapso dos preços em uma geração.

É de interesse de todos os produtores fechar um acordo para estabilizar os preços, que estão 61 por cento abaixo do pico de 2014, disse Gary Ross, presidente-executivo do conselho da PIRA Energy Group, que agora faz parte da S&P Global Platts. A falta de acordo na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) poderá derrubar o barril de petróleo para apenas US$ 35, ao passo que o sucesso da reunião do grupo no fim deste mês poderá elevar o petróleo a US$ 60, quase 35 por cento acima dos níveis atuais, disse ele.

O petróleo caiu para menos de US$ 45 o barril no início do mês em meio à preocupação sobre a capacidade da Opep de implementar um acordo para reduzir a produção pela primeira vez em oito anos. Membros importantes como o Irã e o Iraque argumentam que deveriam ficar isentos de restrições à produção, enquanto a Rússia, que não faz parte da Opep, disse que está disposta a congelar sua oferta se o grupo conseguir chegar a um acordo sobre as reduções. Os ministros se reunirão em Viena em 30 de novembro para decidir como dividirão o encargo.

"A Opep precisa chegar a um acordo para recuperar sua relevância", disse Ross. "Nossa visão é que eles reduzirão sua produção e acho que, devido ao aperto, fecharão um acordo coletivo em 30 de novembro."

Os preços poderão recuar em meio ao "crescimento implacável da oferta global", a menos que a Opep decrete cortes significativos da produção, afirmou a Agência Internacional de Energia na quinta-feira. Embora não seja fator chave para o grupo, a eleição de Donald Trump como próximo presidente dos EUA pode colocar pressão sobre seus membros para chegar a um acordo, segundo Ross.

A Opep provavelmente chegará a um acordo porque todos os seus membros precisam de preços mais elevados para o petróleo, disse ele. Depois que os preços do petróleo caíram de mais de US$ 100 o barril para o menor nível em 12 anos, de menos de US$ 30 o barril, em janeiro, a Arábia Saudita, produtora número 1 da Opep, utilizou suas reservas para amortecer o impacto. O reino gastou US$ 115 bilhões no ano passado e planeja vender uma participação de sua petroleira estatal.

Sem uma decisão sobre os cortes à produção, o reequilíbrio do mercado pode ser adiado por um ano, disse Ross. Ele estima um crescimento "muito forte" da demanda global, de 1,9 milhão de barris por dia neste ano e de 1,6 milhão de barris por dia em 2017, apoiado pelo consumo em países asiáticos como a China e a Índia. "A Opep quer um preço entre US$ 50 e US$ 60 e deseja, basicamente, acelerar o reequilíbrio", disse ele.

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