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Trump pode livrar bancos de bilhões em custos com Basileia IV

Silla Brush

(Bloomberg) -- A eleição de Donald Trump à presidência dos EUA pode permitir que os bancos escapem do impacto pleno da mão pesada das autoridades reguladoras globais em resposta à crise de 2008.

O Comitê de Supervisão Bancária da Basileia corre para completar uma renovação completa dos padrões internacionais de capital até o fim do ano. Os EUA vêm defendendo regras mais rígidas como proteção contra colapsos futuros dos mercados, enquanto Europa e Japão querem restringir propostas que poderiam onerar os bancos com bilhões em custos. Os integrantes do Comitê da Basileia, incluindo Federal Reserve e Banco Central Europeu, sofrem enorme pressão do setor para atenuar as regras.

A ascensão de Trump e a promessa dele de desmantelar regulamentações financeiras podem atrapalhar ainda mais o trabalho do grupo. Se ele frear a implementação nos EUA dos padrões revisados do Comitê da Basileia para mensuração dos riscos dos ativos pelos bancos ou ignorá-los totalmente, a Europa talvez faça o mesmo. E se EUA e Europa tomarem rumos próprios, a última parte da resposta global à crise financeira pode estar ameaçada.

"Eu achava, antes de Trump, que os padrões da Basileia seriam significativamente suavizados", disse Sam Theodore, diretor-gerente para instituições financeiras da Scope Ratings. "Agora, com Trump, acho que a coisa toda se tornará um exercício simbólico."

As lembranças da crise estão ficando para trás e "há todos os ingredientes para que a reação contra a regulamentação continue", ele disse.

Campanhas de lobistas

A eleição de Trump coincide com um momento crítico do debate dentro do Comitê da Basileia, que esquentou neste ano devido a enormes esforços de lobistas para flexibilizar os novos padrões que estabelecerão como os bancos avaliam riscos de crédito, operacionais e de mercado para definir seus níveis de capital exigido, em um pacote conhecido como Basileia IV.

O Comitê da Basileia está "trabalhando intensamente" para concluir as reformas dentro do prazo, disse na semana passada o presidente do grupo, Stefan Ingves. Se a autoridade reguladora global cumprir o prazo que vai até o final do ano, Trump não terá tempo hábil para afetar a posição de negociação dos EUA ao alterar as quatro organizações americanas que fazem parte do Comitê da Basileia (uma delas é a Federal Deposit Insurance Corp. ou FDIC).

"A maior preocupação dos bancos europeus no momento é o progresso de Basileia IV", disse Howard Davies, presidente do conselho do Royal Bank of Scotland Group, na semana passada. "O plano é chegar a um acordo até o fim do ano. Duvido que o novo governo Trump consiga influenciar isso."

Regras severas

A oposição da União Europeia a elementos importantes da proposta do Comitê da Basileia já vem atrasando as negociações. Políticos e autoridades da UE insistem que as novas regras não aumentam significativamente as exigências de capital de modo geral e que os bancos do bloco são indevidamente castigados.

Já os EUA defendem consistentemente regras mais severas. Ainda na semana passada, o vice-presidente da FDIC, Thomas Hoenig, que é politicamente independente, alertou contra o retrocesso. "Está se desenvolvendo um impulso dentro do Comitê da Basileia para prejudicar medidas que poderiam aumentar os níveis de capital dos bancos e algumas jurisdições ameaçam pular fora se as medidas forem consideradas severas demais", afirmou Hoenig em comentários preparados para um discurso. "Os EUA devem evitar se juntar a essa corrida até o fundo."

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