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Quatro coisas que talvez você não saiba sobre vinhos naturais

Justin Kennedy

(Bloomberg) -- No último fim de semana, a Raw Wine teve início no Brooklyn, em Nova York. A feira internacional celebra o vinho natural, biodinâmico e orgânico --começou em Londres em 2012 e desde então passou por Viena e Berlim--, levando consigo centenas de garrafas elegantes e atraindo milhares de participantes sedentos.

Este foi o evento inaugural do 99 Scott, um complexo industrial reformado recentemente em Bushwick que abriga também uma produtora de hidromel e um restaurante especializado em pho (segundo estabelecimento de um destaque do guia Michelin, o Bun-Ker Vietnamese).

O vinho natural é a categoria que gera maior burburinho no setor: uma expressão viva do terroir, representativa de solos saudáveis, microclimas e produtores idiossincráticos. Pelo menos foi isso que aprendi em dois dias de degustação e análise. Trata-se de um movimento baseado em uma discussão inteligente e, segundo a vibração que se nota por aqui, um pouco de emoção.

O lugar ficou lotado, animado e agitado como se espera de um evento do tipo. A seguir, minhas quatro principais conclusões.

Os estilos dos vinhos naturais são ambíguos

Peça que alguém na RAW Wine descreva "vinho natural" e você perceberá um olhar confuso. O motivo é que não existe um estilo codificado -- e há poucas (se é que existe alguma) notas de degustação comuns a todos os vinhos naturais.

Os produtores também variam bastante

Alguns são atraídos para o movimento pelas práticas agrícolas limpas (quase todos os produtores da RAW têm certificado orgânico), enquanto outros se valem do misticismo do plantio, da colheita e do engarrafamento biodinâmicos, que ocorrem em grande parte de acordo com os ciclos lunares e práticas ritualísticas aparentemente bizarras (entre elas, encher chifres e intestinos de vacas com estrume, ervas e flores e enterrá-las ou pendurá-las pelos vinhedos).

Nem tudo se resume ao diferente

Assim como os fãs de pimenta que buscam as unidades mais ardentes na Escala de Scoville ou os nerds da cerveja artesanal que procuram as IPAs mais excitantes, alguns novatos do vinho são atraídos pelos extremos do gênero; quanto mais diferente o vinho, melhor. Mas muito poucos dos que eu provei na Raw se encaixam nesse estereótipo de vinhos sujos, monótonos, parecidos com sidra. Na verdade, muitos eram vibrantes e limpos e sem dúvida seriam do gosto de todos, desde a minha sogra, que adora Yellow Tail, até o fã mais fervoroso dos vinhos naturais.

Vinho limpo

Um sentimento que eu encontrei repetidas vezes na RAW é que a maior parte das discussões sobre a fabricação de vinhos naturais é completamente incorreta: os vinhos verdadeiramente naturais são produzidos no campo, não na adega. De fato, a maior parte das vinícolas presentes na RAW enfatizou seu papel de "cultivadora", não de produtoras ou fabricantes, o que expressa reverência pelas matérias-primas -- as uvas --, que precisam vir de vinhedos excepcionais para produzir vinho com pouco ou nenhum aditivo ou estabilizante.

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