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Análise: EUA não ajudam nada deixando acordo de Paris

Os Editores

(Bloomberg) -- A partir de 20 de janeiro o presidente eleito dos EUA, Donald J. Trump, começará a implementar sua agenda. Como ele espera transformar suas promessas em políticas? Seus planos fazem sentido? Se não for o caso, o que ele deve fazer? E, finalmente, considerando a realidade política de Washington, o que é mais provável de acontecer? Este texto faz parte de uma série de editoriais que tentarão responder a essas perguntas.

O que ele diz que fará: Trump promete cancelar a adesão dos EUA ao acordo climático de Paris, firmado no ano passado, que comprometeu os países a diminuírem suas emissões de gases causadores do efeito estufa --incluindo uma redução de 26 por cento dos EUA até 2025.

Há obstáculos processuais no caminho de uma retirada rápida; Trump pode se contentar em simplesmente não cumprir os compromissos dos EUA, o que seria basicamente o mesmo.

A retirada faz sentido? Certamente -- se você acha que o aquecimento global é um conto chinês. Mas se você considera que a maioria esmagadora dos cientistas sabe do que está falando, ou se você notou que cada ano é mais quente que o anterior, abandonar o acordo de Paris parece ser um freio perigoso ao esforço de reduzir as emissões globais em um momento em que o mundo mal pode permitir isso.

As consequências de ignorar o que a ciência estabeleceu poderiam literalmente acabar com o mundo. Nenhum líder responsável, do serviço público ou de empresas privadas, pode ignorar os dados e informações e esperar continuar ocupando seu cargo.

O que ele deveria fazer: retirar-se do acordo é uma solução em busca de um problema. O compromisso firmado pelos EUA em Paris pode ser cumprido -- mesmo sem as regulações ao carbono do presidente Barack Obama para as usinas de energia, que Trump também promete cancelar.

Se quisesse melhorar o acordo de Paris, Trump poderia pedir ao Congresso a aprovação de um imposto ao carbono, juntamente com uma tarifa sobre as importações de países que não aplicam impostos próprios. Isso evitaria que outros países se aproveitassem dos EUA.

O resultado mais provável: Trump parece propenso a cumprir sua promessa. Só não está claro o que isso significa para o acordo de Paris. A China tem seus próprios motivos para reduzir as emissões e pode tentar melhorar sua reputação assumindo o papel de liderança dos EUA.

Outros países, como a Índia, poderiam usar a retirada dos EUA como desculpa para também abandonarem o acordo -- ou não, considerando sua vulnerabilidade à mudança climática. O certo é que uma retirada dos EUA não vai ajudar em nada.

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