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Negócio de viagens do Google contraria seus maiores anunciantes

Gerrit De Vynck e Mark Bergen

(Bloomberg) -- Na maior conferência do setor de viagens on-line, na semana passada, o executivo do setor Steve Hafner ouviu uma pergunta incomum: qual é a primeira palavra que vem à mente quando você pensa no Google? "Irritante", respondeu Hafner, CEO da empresa Kayak, pertencente à Priceline Group.

Hafner definiu bem o sentimento. Apesar dos mais de US$ 15 bilhões em receita anual e dos grandes lucros, agentes de viagens on-line como Priceline e Expedia estão cada vez mais preocupados com a entrada do Google em seu território. Isso aumenta a tensão com o setor que é um dos maiores anunciantes do Google.

Os dois lados antes viviam em harmonia. As gigantes do setor de viagens apareciam no topo dos resultados de buscas relacionadas com viagens no Google, tanto comprando anúncios quanto ajustando seus sites ao algoritmo da plataforma.

Mas nos últimos anos o Google modificou seu motor de busca para mostrar suas próprias informações sobre voos e hotéis acima dos links para o Priceline e o Expedia. Além disso, a empresa lançou um aplicativo de planejamento de viagens em setembro e às vezes permite que os viajantes reservem hotéis e voos pelo Google. Alguns atores do setor esperam uma maior concorrência direta desse tipo.

"O Google tem uma visão maior, não pensa simplesmente no quanto está ganhando com as receitas dos anúncios", disse Paul English, cofundador da Kayak, que deixou a empresa no fim de 2013 e atualmente está montando um serviço de assistente de viagens chamado Lola.

O executivo de viagens do Google Oliver Heckmann tem a difícil tarefa de manter os agentes on-line de viagens satisfeitos e construir serviços cada vez mais competitivos para os consumidores. Esses anunciantes precisam tanto do Google quanto a unidade da Alphabet precisa deles, mas ele está sempre tendo que consertar as relações.

"Olhando para o setor, todos estão meio que colaborando e competindo uns com os outros", disse ele, negando preocupação em relação a uma ameaça maior do Google. "Eu queria ganhar uma margarita cada vez que tenho que esclarecer esse mal-entendido."

Em uma entrevista na conferência Phocuswright em Los Angeles, ele disse que o Google não vai se tornar uma agência de viagem com recursos completos para fazer reservas. O objetivo da companhia é fornecer a melhor informação aos viajantes.

O Google pode deduzir que alguém que procura informações sobre o vírus Zika está planejando uma viagem e enviar-lhe uma oferta antes que a pessoa peça. O Expedia não pode fazer isso por conta própria, disse ele.

Alguns executivos de empresas de viagens on-line afirmam que a agilidade delas as tornará mais fortes para combater a chegada do Google ao setor.

"O Google é uma plataforma de publicidade e tudo o que sabemos deles é que eles continuarão sendo uma plataforma de publicidade", disse o CEO da Expedia, Dara Khosrowshahi. "O Google pode permitir que alguns usuários driblem o Expedia ao enviá-los diretamente aos sites dos hotéis e das empresas aéreas, mas a realidade é que o Expedia, enquanto empresa de tecnologia, está muito melhor configurada para trabalhar no universo do Google na captura de clientes."

Os hotéis e as empresas aéreas estão menos preparados para o combate, acrescentou ele.

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