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Preconceito racial e de gênero afeta economia de bicos nos EUA

Joshua Brustein

(Bloomberg) -- Pesquisadores estão identificando disparidades raciais e de gênero em praticamente todos os cantos do mercado de trabalho sob demanda.

Um novo estudo mostrou que pessoas negras receberam mais avaliações negativas que os trabalhadores brancos nos mercados de trabalho virtuais TaskRabbit e Fiverr e que as pessoas que usaram esses serviços para contratar trabalhadoras mulheres foram menos propensas a deixar qualquer tipo de comentário.

As conclusões desse estudo acadêmico, cuja publicação está programada para fevereiro, seguem-se a pesquisas similares que mostraram que motoristas do Uber e do Lyft e anfitriões do Airbnb discriminaram clientes cujos nomes soavam como de negros. O TaskRabbit já havia sido objeto de outro estudo, que mostrou que os trabalhadores tinham menor probabilidade de aceitar trabalhos em bairros de baixa renda.

O problema não é que as empresas de tecnologia tenham criado sistemas que são explicitamente discriminatórios, mas que esses sistemas possibilitem que as pessoas coloquem seus preconceitos em prática, disse Christo Wilson, professor assistente da Northeastern University e um dos autores do novo estudo.

"Há limites para o que se pode fazer para que os usuários ajam de outro modo", disse ele. Mas a estrutura dos mercados é relevante.

No estudo mais recente, os pesquisadores destrincharam dados de perfis de usuário no site do TaskRabbit e do Fiverr em dezembro de 2015, coletando fotos, avaliações e o posicionamento do trabalhador nos rankings de pesquisa.

Eles contrataram pessoas para olhar para as fotos e classificar cada pessoa com base no gênero e na raça. Uma versão resumida do estudo foi publicada no sábado. O MIT informou sobre a pesquisa pela primeira vez na semana passada.

Embora os pesquisadores tenham encontrado evidências de preconceito em ambos os sites, a pesquisa revelou que a plataforma do TaskRabbit é particularmente problemática, porque os comentários dos usuários influenciam o posicionamento das pessoas nos rankings de pesquisa.

Mulheres brancas e homens negros apareceram mais abaixo nos rankings, e trabalhadores asiáticos e mulheres negras ficaram mais acima. Como as pessoas tendem a escolher uma das primeiras opções apresentadas em uma pesquisa on-line, isso poderia ter um impacto sobre as perspectivas de emprego.

O TaskRabbit admitiu que incorpora as avaliações no algoritmo que usa para definir os rankings de pesquisa, mas afirmou que elas têm um peso relativamente pequeno. "Passamos muito tempo pensando neste assunto e trabalhando para minimizar a discriminação e o preconceito em nossa plataforma", informou a companhia em um comunicado enviado por e-mail.

O TaskRabbit também afirmou que muitos dos trabalhos são programados através de seu recurso de "atribuição rápida", que combina trabalhadores e tarefas automaticamente, em vez de permitir que os usuários escolham quem contratar. Mas não ficou claro que isso elimine o preconceito, porque essas atribuições são geradas por algoritmos semelhantes aos que são usados para determinar a posição dos trabalhadores nos resultados de pesquisas.

O Fiverr também refutou os resultados da pesquisa. "Informações demográficas não são um requisito no Fiverr, e nossa experiência de usuário enfatiza o trabalho, não a pessoa que o realiza", afirmou em um comunicado. A companhia acrescentou que muitas pessoas não publicam fotos de si mesmas.

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